A tão aguardada publicação da G4, as novas directrizes da Global Reporting Initiative (GRI) traz importantes melhorias no processo de relato da sustentabilidade. A G4 vem introduzir significativas alterações, e a mensagem é clara: as organizações devem apenas reportar as questões que influenciem de forma significativa a avaliação e decisão dos seus stakeholders e que representem impactos económicos, ambientais ou sociais relevantes
POR FRANCISCO NEVES*

O crescimento económico, o desenvolvimento social e a protecção ambiental são, e têm que ser, componentes interdependentes do desenvolvimento sustentável, reforçando-se mutuamente no esforço necessário para atingir a sustentabilidade. Para que este desígnio seja alcançado é, no entanto, necessário que as organizações enfrentem o desafio de compreender a ligação entre as suas actividades e o meio envolvente, medir e gerir os seus impactos e comunicar de forma transparente com os seus stakeholders.

A resposta a este desafio é dada pelo relato da sustentabilidade, considerando não apenas o relatório de sustentabilidade propriamente dito, mas igualmente o processo subjacente. O relatório de sustentabilidade deve ser entendido como resultado natural do processo de gestão da sustentabilidade e não como um objectivo final.

Esta abordagem pode parecer difícil para quem ainda não tenha iniciado um “caminho de sustentabilidade”, mas existem directrizes, internacionalmente aceites, que as organizações podem e devem utilizar como guia. Estas directrizes, desenvolvidas pela Global Reporting Initiative (GRI), foram definidas e continuam a evoluir, tendo por base o diálogo permanente com um conjunto tão alargado quanto possível de stakeholders.

A Primavera de 2013 trouxe importantes evoluções para a GRI e outras organizações no âmbito do relato da sustentabilidade. Em Abril, o International Integrated Reporting Council (IIRC) apresentou a sua proposta para a elaboração de Relatórios Integrados e a Comissão Europeia adoptou uma proposta de directiva com o objectivo de aumentar a transparência das grandes empresas nos domínios sociais e ambientais. A tão aguardada publicação da G4, as novas directrizes da Global Reporting Initiative (GRI), ocorreu em Maio, trazendo importantes e significativas melhorias no processo de relato da sustentabilidade.

O desenvolvimento destas novas directrizes contou com o contributo de milhares de stakeholders; a própria conferência da GRI, realizada em Amsterdão, contou com mais de 1600 delegados de 80 países, reafirmando e reforçando o papel cada vez mais global desta organização e das suas directrizes para o relato de sustentabilidade.

A G4 vem introduzir significativas alterações, sendo a principal relacionada com o foco nos aspectos relevantes (materiais) para a gestão das organizações. A mensagem é clara: as organizações devem apenas reportar as questões que influenciem de forma significativa a avaliação e decisão dos seus stakeholders e que representem impactes económicos, ambientais ou sociais relevantes. Os relatórios poderão, assim, deixar de apresentar listas intermináveis de indicadores que pouco ou nada acrescentam aos seus stakeholders ou à gestão da própria empresa. Para além de perceberem o que é realmente importante, as organizações têm igualmente que compreender onde, na sua cadeia de valor, é que se verificam impactos significativos e ajustar os limites da sua gestão e relato em conformidade.

As organizações têm que compreender onde, na sua cadeia de valor, se verificam impactos significativos e ajustar os limites da sua gestão e relato em conformidade .
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Adicionalmente, a G4 eliminou os níveis de aplicação anteriormente existentes (A, B e C) contribuindo, por esta via, para que as organizações deixem de ter a tentação de relatar todos os indicadores existentes. Quem pretender publicar um relatório GRI terá, agora, duas opções para estar “in accordance”, a saber, Core ou Comprehensive.

Com a eliminação dos níveis de aplicação desapareceu igualmente a notação “+”, atribuída pela verificação externa do relatório de sustentabilidade, mas desengane-se quem pensar que isto poderá significar o fim desta prática – muito pelo contrário. A verificação externa poderá assumir um papel extremamente importante na garantia de que a análise de materialidade foi efectuada, de forma coerente, e que os temas relatados são, efectivamente, os mais relevantes para a organização e para os seus stakeholders. A partir de agora, para sabermos o que foi efectivamente verificado, basta ver a nova Tabela GRI onde esta informação será descriminada, por indicador (de perfil e de desempenho).

Deixa, igualmente, de haver distinção entre indicadores essenciais e complementares: Neste âmbito, cada organização poderá escolher o(s) indicador(es), relacionados com os aspectos relevantes, que melhor cumpram o objectivo de monitorizar e relatar o seu desempenho.

Mas as alterações não ficam por aqui e abrangem igualmente: forma de apresentação (clara separação entre o que relatar e como relatar); abordagem genérica à divulgação da abordagem de gestão (DMA na sigla em Inglês); introdução de referências claras a diversas outras organizações e referenciais na área da sustentabilidade; e novos requisitos ao nível da governance, ética e integridade, cadeia de valor, gases com efeito de estufa, anticorrupção.

Só o tempo dirá como as organizações portuguesas irão responder aos desafios colocados por estas novas directrizes, mas acreditamos que foi dado um passo extremamente importante na direcção certa. Vamos aproveitar este momento para reflexão e melhoria do nosso trabalho porque chegou a G4!

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