A governação, exigível aos três pilares das nações e do mundo (Estado, Mercado e Sociedade Civil), tem que ser absoluta e urgentemente reformada, reenquadrada e democraticamente legalizada, tendo em conta a premência de soluções globais
POR FERNANDO NOBRE

Num tempo em que grandes desafios globais implicam fluxos maciços de refugiados, muitos deles fugindo às guerras e à desgovernação; num tempo em que as alterações climáticas agravarão substancialmente as crises actuais e num tempo em que a crise do sistema bancário e financeiro pode vir a provocar muito mais sofrimento e miséria do que a que já existia; num tempo em que o próprio futuro da União Europeia está incerto, importa, mais do que nunca, que a boa governação e o bom senso imperem.

Boa governação exige ética, rigor, verdade, responsabilidade, coerência e compromisso, o que a coloca nos antípodas da corrupção, demagogia, manipulação, mentira…

Boa governação implica preocupação com os mais fragilizados e desprotegidos da sociedade, estar à escuta e em diálogo com as mais íntimas aspirações dos cidadãos e colocar o estado do país e do mundo acima dos momentâneos interesses partidários e pessoais.

Boa governação requer ideias claras quanto às verdadeiras causas nacionais e globais e lutar, contra ventos e marés, por elas.

Boa governação não se faz sem que o exemplo motivador e esclarecedor venha das lideranças, com um imprescritível sentido do dever, pois ser-se líder é sobretudo ter deveres e pouquíssimos direitos. Quem não está disposto a sujeitar-se a este imperativo exigente e inegociável não pode pretender ser líder.

Essa boa governação é exigível aos três pilares das nações e do mundo (Estado, Mercado e Sociedade Civil). E tem que ser absoluta e urgentemente reformada, reenquadrada e democraticamente legalizada, tendo em conta a premência de soluções globais. Não há outro caminho!

[quote_center]Boa governação não se faz sem que o exemplo motivador e esclarecedor venha das lideranças[/quote_center]

É urgente exigir a reforma das instituições e a renovação das lideranças, a fim de que sejam tratadas com eficácia, humanismo e urgência as crises financeira, económica, social e política vigentes, a crise ambiental, a crise da violação constante dos Direitos Humanos, a crise da corrida armamentista, a crise do Direito internacional, a crise da insegurança e dos terrorismos, a crise dos refugiados, a crise dos já débeis sistemas democráticos, a crise cultural e religiosa, a crise do desenvolvimento global, a crise da confiança…

O planeta Terra precisa de um sistema de governação global ético, credível, respeitado e operativo. É vital que se integrem nesse sistema personalidades sábias de grande craveira moral e ética. Precisamos de espíritos livres com coluna vertebral.

Num tempo em que a incerteza é uma constante e em que a insegurança tende a ditar as regras, caberá à sociedade civil participar activamente na construção de um mundo diferente e melhor.

Actuemos, pois em nome das muitas centenas de milhões de seres humanos que, sem voz, sem rosto nem identidade, morrem esquecidos e anonimamente. Façamo-lo em nome da nossa humanidade, que requer e exige de todos nós o maior empenho para a salvaguarda do nosso planeta.

O futuro da humanidade pertence-nos. Cabe-nos a nós, cidadãs e cidadãos, se determinados e porventura motivados, imprimir um decisivo salto qualitativo no nosso destino colectivo, fazendo que as nossas utopias de hoje sejam as realidades de amanhã.