Já são conhecidos os resultados da 3ª edição do Prémio de Desenvolvimento Sustentável, uma iniciativa conjunta da consultora Heidrick & Struggles e do Diário Económico. Com uma novidade relativamente ao ano passado – a inclusão de prémios sectoriais – é a Dimensão Social que, no geral, melhores resultados apresenta. Questões relacionadas com a gestão de risco e com a transparência são as áreas que mais espaço têm para melhorias, como sublinha Lúcia Lino, manager da Heidrick, em entrevista
POR HELENA OLIVEIRA

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Lúcia Lino, Manager – Heidrick & Struggles
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O Prémio Desenvolvimento Sustentável vai já na sua 3ª edição. Num ano particularmente difícil, que principais alterações elege face às edições passadas?
As dificuldades que o país atravessa não tiveram reflexo na dinâmica do Prémio, pois este não pretende avaliar a sustentabilidade económica das empresas e eficiência de investimentos que fazem, mas sim avaliar as práticas de sustentabilidade em termos de modelos de Gestão, Reporte e Performance Ambiental bem como nas Politicas Sociais das Organizações.

Em termos de dinâmica do Prémio, tivemos um aumento do número de inscrições e uma melhoria da qualidade e maturidade nas respostas obtidas.

Por ser um ano difícil para as organizações, nesta edição não efectuámos alterações significativas, sendo que as únicas efectuadas foram nas categorias premiadas face à edição anterior. Este ano decidimos atribuir prémios sectoriais, tendo em conta a representatividade das empresas por macro sector de actividade. Adicionalmente atribuímos um prémio de destaque à empresa que apresentou maior subida face aos resultados da edição anterior.

E especificamente face à edição de 2009? (nº de empresas respondentes, avanços/recuos sectoriais, entrada de novas organizações, etc)
Nesta edição tivemos um crescimento significativo no número de inscrições. Tendo em conta as 101 empresas finalistas, cerca de 50% foram empresas repetentes e as restantes foram novas empresas.

Efectuando a análise por sector, aquele em que observámos uma maior subida de participação foi no Sector de Hotelaria, Imobiliária e Lazer.

Face a um dos objectivos do prémio – o de promover benchmarking e análises comparativas relativamente a empresas de dimensões variadas e de diferentes sectores – que balanço faz a Heidrick & Struggles da edição de este ano?
Este prémio possui uma boa base de avaliação de sustentabilidade do tecido empresarial português, pois teve uma boa adesão de empresas, representatividade em termos de sectores e dimensão de organizações, pelo que nos permite efectuar análises consistentes das práticas de sustentabilidade.

Tendo em conta os nove sectores de actividade analisados, quais os que apresentam melhores resultados e que práticas são mais utilizadas pelos mesmos?
Na Dimensão de Gestão, destacamos as práticas de “Gestão da Relação com os Clientes” que corresponde, no sector de “Tecnologia, Media e Telecomunicações”, a processos estruturados e necessários para o correcto funcionamento destas empresas, bem como o envolvimento dos clientes no desenvolvimento de linhas de serviço ou produtos.

Na Dimensão Ambiental, destacamos as medidas de reporte ambiental, bem como as medidas de eco-eficiência que as empresas do Sector de “Indústria e Energia” efectuam, apesar de tal ser muitas vezes por imposição legal ou regulamentar.

Na Dimensão Social destacamos novamente os resultados obtidos pelas empresas do sector “Tecnologia, Media e Telecomunicações”. Este sector apresenta práticas consistentes de Desenvolvimento de Capital Humano, o que estará associado ao dinamismo tecnológico inerente ao sector, o que exige, por parte destas empresas, uma atenção contínua no desenvolvimento do seu capital humano, de modo que este esteja preparado e motivado para responder às evoluções e mutações que o sector apresenta.

Das três dimensões escolhidas pela análise – que obedecem aos critérios da triple bottom line – qual/quais aquelas em que as empresas portuguesas se destacaram pela positiva?
Efectuando uma análise consolidada a dimensão com melhores resultados é a Dimensão Social, onde estão abrangidas as questões de Responsabilidade Social e questões ligadas ao Desenvolvimento e Gestão de Recursos Humanos

E pela negativa?
A dimensão que tem mais espaço de melhoria é a Dimensão de Gestão, onde os temas com resultados menos positivos foram as questões ligadas à Gestão de Riscos e Crises para o Negócio da Empresa e às questões relacionadas com os Modelos de Governo e Transparência nos Modelos de Governo das nossas empresas.

A PT, a EDP e a Brisa receberam um Prémio de Excelência. Que critérios foram utilizados para este galardão?
A PT, EDP e Brisa foram convidadas para o Advisory Board deste prémio e o racional desse convite foi o grau de maturidade destas organizações em termos de Sustentabilidade. Tanto a PT como a EDP fazem parte do DJSI e a Brisa faz parte do FTSE4Good, Índices de referência em Sustentabilidade, pelo que estas organizações deram provas a nível internacional da consistência e solidez das suas práticas de Sustentabilidade.

Como tal, a organização do prémio decidiu distinguir estas organizações com o nosso Prémio de Excelência.

Que “conselhos” daria a Heidrick para as empresas portuguesas melhorarem as suas práticas de sustentabilidade, particularmente numa época em que “corte de custos” serão palavras de ordem?
Sustentabilidade deverá ser uma abordagem de gestão, tendo como objectivo a garantia de resultados a médio e longo prazo. Essa abordagem de gestão deverá ser vista tendo em conta a cadeia de valor das organizações, numa óptica global, tendo em conta o interior da organização, os seus serviços e operação, modelos de gestão e interacção com o exterior.

Contudo, em épocas de crise, as organizações devem olhar para elas mesmas, e procurar soluções inovadoras, que permitam melhorar a sua eficiência e a sua abordagem de gestão.

No que diz respeito às práticas de gestão analisadas neste prémio, as organizações podem investir na transparência dos seus modelos de governo, que é uma prática ainda pouco corrente em Portugal e tal não exige grande investimento e conduz à confiança dos stakeholders externos e internos.

Outra medida poderá ser o investimento na Gestão de Risco e Crises operacionais, permitindo uma maior solidez de resposta das organizações face a eventuais crises.

Uma última questão: para 2012, o Prémio manter-se-á com os mesmos critérios ou estão a pensar inserir algumas alterações?
No próximo ano prevemos uma revisão dos moldes de aplicação do Prémio, pois acima de tudo, este tem o desígnio de promover a implementação de práticas sustentáveis no tecido empresarial Português. Assim sendo, achamos que devemos promover este prémio junto das pequenas e médias empresas, bem como, as empresas que prestam serviços públicos e, como tal, prevemos a adaptação do questionário a estes sectores, de modo a que seja mais ajustado às realidades de Gestão das mesmas.

Adicionalmente o vencedor desta edição, vencendo pelo segundo ano consecutivo este prémio, foi convidado a pertencer ao Advisory board na próxima edição.

 

Helena Oliveira

Editora Executiva