Patente no Casino do Luso, a exposição em homenagem a Charles Lepierre, o cientista francês que, no início do século XX, classificou bacteriologicamente a água do Luso como “puríssima”, insere-se numa estratégia alargada de reposicionamento do Luso no mapa de destinos dos Portugueses. Para tal, a Fundação Luso tem contribuído, de forma variada, para a revitalização da região nas valências da saúde,  da cultura e do ambiente
POR HELENA OLIVEIRA

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© Fundação Luso
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Corria o ano de 1903 quando o químico francês, Charles Lepierre, determinou o teor bacteriológico da água do Luso, classificando-a como “puríssima”. E cento e oito anos passados, a Fundação Luso decide homenagear este proeminente cientista que devotou grande parte da sua vida ao serviço da comunidade e da saúde pública em Portugal. Patente no Casino do Luso, a exposição que integra uma mostra documental, fotográfica e ainda vários elementos do espólio de Charles Le Pierre, foi inaugurada no passado dia 22, contando com a presença do próprio bisneto do químico francês, António Lepierre Tinoco.

Nuno Pinto de Magalhães, administrador da Fundação Luso, explicou que a exposição em causa, “Charles Lepierre, o homem, a obra e a água de Luso” constitui “uma homenagem a quem, no início do século XX, fez o levantamento e o registo das águas minerais naturais portuguesas e classificou a água de luso como ‘água puríssima , com um sabor e teor agradáveis’”. O administrador da Fundação Luso não deixou igualmente de sublinhar que “Portugal é um país riquíssimo em recursos de águas minerais e termais, sendo este, certamente, mais um contributo para o seu conhecimento e da sua diferenciação”.

Contemporâneo e amigo de Pierre e Marie Curie que, curiosamente, partilham o Nobel da Física no mesmo ano de 1903, Charles Lepierre é, muito provavelmente, um grande desconhecido da generalidade do público português, apesar de ter tido uma participação activa e enriquecedora nas duas grandes décadas da ciência em Portugal, nomeadamente entre 1920 e 1940. Daí a pertinência desta exposição gratuita, que estará patente até Setembro e que se insere numa estratégia alargada de reposionamento de Luso como marca de destino. Para tal, o investimento da Fundação Bissaia Barreto de cerca de dois milhões de euros em obras de remodelação do Grande Hotel do Luso, cujos 70 anos de história se cruzam, igualmente, com a história do termalismo português, a par de uma parceria com a Maló Clinic e a Sociedade da Água do Luso conjugam-se igualmente para revitalizar a região do Luso em várias das suas valências.

“Na região do Luso, existem diversas organizações/instituições, a par da Câmara Municipal da Mealhada e da Região de Turismo do Centro, que têm feito um esforço colectivo no sentido de requalificar e modernizar  espaços e equipamentos que lhe estão afectos, [já anteriormente referidos] ”, afirma o administrador, acrescentando igualmente que este conjunto de parcerias visa “proporcionar a todos os visitantes uma experiência única e diversificada, nas valências do turismo, da saúde, da  gastronomia,  da cultura e do ambiente”.

Como também afirmou Nuno Pinto de Magalhães – cujos pilares de actuação da Fundação que administra privilegiam a saúde, o ambiente e a comunidade – “salvaguardar o património natural e histórico da região” é imprescindível para dinamizar o Luso e os espaços verdejantes que o envolvem e torná-lo numa atracção turística de excelência, com o devido retorno para a comunidade. O administrador da Fundação Luso salientou igualmente as características e especificidades próprias desta água, a preferida pelos consumidores portugueses, e que lhe são conferidas pelo seu local único de captação, que é a região Luso, não deixando de sublinhar que se tem pretendido passar a ideia de que “as águas minerais naturais engarrafadas não são todas iguais, muito menos a água da torneira, sendo cada uma diferente per si, com características e funcionalidades diferenciadas”.

Património hídrico e natural tem de ser valorizado
Inaugurada em Fevereiro de 2009, a Fundação Luso surge como um projecto de responsabilidade social da Central de Cervejas e Bebidas (SCC) no qual a água “é a essência que traduz a missão”. Neste contexto, e nas vertentes da saúde, ambiente e comunidade, tem sido “um pólo dinamizador da actividade integrada da região, procurando a valorização e notoriedade da mesma”. Seguindo esta filosofia, a Fundação tem desenvolvido um leque alargado de iniciativas. Por exemplo, com a participação de colaboradores da Sociedade Água do Luso (SAL), foi reforçado o perímetro de protecção do aquífero da água mineral natural de Luso com diversas iniciativas de limpeza e reflorestação da serra do Buçaco (ou Bussaco, visto que ambas as grafias são aceites), numa acção em que se procedeu à limpeza de uma área superior a 30 mil m2 e na qual foram plantadas cerca de 1.200 árvores. Mais recentemente, foi igualmente assinado um protocolo entre a Fundação Luso e a Fundação Mata do Buçaco, que tem como objectivo apoiar a recuperação e a valorização do Trilho da Água desta última, cuja origem remonta ao século XVII e que é, também, a origem da água do Luso. Para esta iniciativa, a Fundação Lusa contribuirá com 50 mil euros.

A exposição Charles Lepierre é gratuita e estará patente até Setembro, com vista a reposicionar o Luso como marca de destino .
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Mas são outras as iniciativas de recuperação que estão em curso na região e que contam igualmente com o apoio da Fundação Luso. Como elenca Nuno Pinto de Magalhães, “a recuperação do edifício do Casino do Luso, datado do século XIX, no qual está igualmente previsto um núcleo museológico permanente da água de Luso, do Hotel, das termas e da Sociedade da Água de Luso e o apoio à recuperação do interior da capela de São João Evangelista”.

A Fundação Luso tem igualmente apostado em acções de sensibilização junto do meio escolar e em conjunto com alunos e professores: não só sobre o interesse do património hídrico e natural da região, ou sobre a preservação do meio ambiente, mas também no que respeita à importância da hidratação em questões de saúde. Com as crianças das escolas Luso, Vacariça e Pampilhosa, a Fundação Luso promoveu ainda a criação de hortas biológicas, com a plantação de arbustos aromáticos e frutos silvestres, nas suas áreas envolventes.

Para dinamizar a região, a Fundação Luso tem igualmente apostado na atribuição de prémios, como é o caso do Prémio de Empreendedorismo. Como explicou ao OJE mais Responsável Nuno Pinto de Magalhães, este prémio “visa reconhecer anualmente iniciativas / projectos inovadores já desenvolvidos e concretizados, com implementação na freguesia do Luso e que sejam potenciadores do desenvolvimento económico da região”. E, a nível nacional, a Fundação tem ainda o prémio “Ideias Verdes” que tem como objectivo, através da dotação de 50 mil euros, viabilizar um projecto que abranja diferentes valências como educação e sensibilização ambiental, mobilidade e urbanismo, oceanos e alimentação e nutrição sustentável”.

Um outro prémio “Água e Saúde”, promovido também pela Fundação Luso e pela revista Saber Viver, pretende galardoar, como explica o administrador “a melhor ideia concretizável, inovadora e relevante para melhorar os níveis de saúde e hidratação da sociedade portuguesa através do consumo de água mineral natural”.

Consolidar e reforçar os projectos que já estão em curso é, para já, o grande objectivo da Fundação Luso. E, como diria Charles Lepierre, até agora a sua missão tem sido “puríssima”.

Artigo originalmente publicado no suplemento OJE Mais Responsável de 12 de Julho de 2011

 

Helena Oliveira

Editora Executiva