PORTAL VER – VER https://www.ver.pt Valores, Ética e Responsabilidade Fri, 28 Aug 2020 14:11:13 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=5.6.4 “As empresas familiares precisam, mais do que nunca, de liderança e de boa governança” https://www.ver.pt/as-empresas-familiares-precisam-mais-do-que-nunca-de-lideranca-e-de-boa-governanca/ Fri, 03 Jul 2020 08:58:04 +0000 https://www.ver.pt/?p=19467 “Mais de 80% das empresas familiares inquiridas esperam ver reduzida a sua facturação em 2020”

O conteúdo “As empresas familiares precisam, mais do que nunca, de liderança e de boa governança” aparece primeiro em VER.

]]>
Quem o afirma é Manuel Bermejo, professor na IE Business School e sócio fundador da consultora espanhola “The Family Advisory Board”. No âmbito do 1º Estudo Ibérico de Governance em Empresas Familiares lançado esta semana pela TFAB em colaboração com ACEGE e pela AEF e em entrevista ao VER, Manuel Bermejo fala do impacto que a crise pandémica está a ter nas empresas familiares, uma área da sua especialidade, não negando os seus efeitos negativos, mas acreditando que esta poderá ser também a altura certa para que estas se reinventem e se tornem mais competitivas
POR VER

A relação de Manuel Bermejo com a empresa familiar é tripla. Filho e neto de empresários de sucesso, sempre viveu a realidade própria dos negócios de família, levando a cabo os seus próprios projectos empresariais. “A minha vocação é ser um empreendedor”, afirma, acrescentando que este facto lhe conferiu o conhecimento necessário inerente às diferentes categorias da actividade empresarial: franchises, gestão de novas empresas e de PME, e negócios familiares. Enquanto professor titular na IE Business School, o seu trabalho tem incidido em particular nestes últimos, ao que junta uma vasta experiência como gestor sénior em empresas de diferentes sectores, como a educação superior, o capital de risco e a indústria agro-alimentar. Bermejo é também professor convidado em várias universidades da América Latina, conferencista internacional e autor de vários livros, tendo a sua tese de doutoramento incidido sobre a visão ética da empresa familiar. Recordando que quase dois terços das empresas mundiais são, na verdade, negócios familiares, sublinha a importância de ajudar estas organizações a serem mais competitivas para assegurar a sua continuidade. E é também essa a missão da consultora The Family Advisory Board, especializada em assessoria familiar e consultoria estratégica.

De que forma é que a pandemia provocada pelo novo coronavírus afectou as empresas familiares?

O terramoto provocado pela Covid-19 afectou os quatro grandes pilares que sustentam as famílias empresariais: negócios rentáveis que crescem, a coesão da família, o património e uma boa reputação. Assim, e desta forma, o seu impacto está a ser muito significativo e as famílias devem actuar de uma forma muito responsável para trabalharem na recuperação destes quatro pilares.

Adicionalmente e do ponto de vista empresarial, a crise provocada pela Covid-19 assenta em dois efeitos por excelência: o primeiro, de curto prazo, que deriva do facto de muitas empresas terem sido obrigadas a fechar a sua actividade ou terem assistido à redução dos seus rendimentos. Na verdade, e no seguimento de uma pesquisa efectuada pela nossa empresa, a The Family Advisory Bord, mais de 80% das empresas familiares inquiridas esperam ver reduzida a sua facturação em 2020. Mas, e por outro lado, um novo mercado está também a tomar forma, com novos hábitos e novas regras que obrigarão as empresas a trabalhar arduamente para se reinventarem e voltarem a ser competitivas neste novo ambiente.

Tendo em conta a vertente empresarial e a vertente familiar, que resposta considera ser a mais adequada para lidar com a crise instalada?

No que respeita ao lado empresarial, o meu conselho é que as empresas familiares revejam as suas estratégias de negócio para identificarem de que forma é que poderão continuar a ser competitivas. Vivemos tempos que exigem uma atitude claramente darwinista, no sentido de se desenvolver uma boa inteligência de mercado e ter-se a mente aberta relativamente a qualquer tipo de inovação: desde os produtos até à estrutura organizacional.

Por seu turno e no que respeita à família, os tempos que vivemos exigem, sobretudo, muita comunicação entre os seus membros, no sentido de se perceber de que forma é que esta nova realidade irá afectar as empresas familiares ou os rendimentos dos seus próprios membros.

Não existem dúvidas que esta crise trará elementos de tensão às famílias empresariais. O mais óbvio será a falta de recursos para pagar dividendos ou, pelo menos, não no mesmo montante que anteriormente. Isto obrigará as famílias a estabelecer canais de comunicação e a recorrer aos seus conselheiros de confiança para chegar a posições consensuais.

E qual são os procedimentos para ultrapassar o “drama” das sucessões, especialmente na terceira geração onde, tradicionalmente, tantas empresas falham?

Para uma boa sucessão, a primeira coisa é que as partes envolvidas, sucessores e sucedidos, aceitem que é necessário pôr em prática um processo bem pensado e melhor executado. Algo muito importante no contexto actual é assegurar que os sucessores mantenham a “fome” para continuar a fazer crescer o negócio e uma grande capacidade empreendedora. Se o espírito empresarial não passar de geração em geração, então temos um problema.

Sabendo que a ética e os valores são essenciais para a sobrevivência de qualquer empresa, que papel desempenham em particular nas empresas familiares?

Os valores são fundamentais na empresa familiar porque é nos comportamentos que derivam destes valores que reside a base para o seu sucesso. E é por isso que devem ser devidamente identificados, para que sejam praticados pela gestão É necessário inovar, transformar, mas respeitando a essência da empresa familiar.

A pandemia veio alterar, de alguma forma, a governança das empresas familiares?

Agora, mais do que nunca, as empresas familiares precisam de liderança e de uma boa governança. É muito importante que haja transparência neste momento e que seja recolhida informação de qualidade para abrir caminho a discussões estratégicas de alto nível, bem como a uma boa tomada de decisões, pois o objectivo agora é concentrarmo-nos no novo roteiro pós-Covid.
A governação familiar é também muito relevante, sendo tempo de activar os conselhos familiares e assegurar que a família reveja os seus planos estratégicos familiares para recuperar os quatro pilares de que falei no início: empresa, família, riqueza e reputação

Qual o papel da formação nas empresas familiares?

Creio que, para além da formação em gestão geral, as famílias empresariais devem participar em fóruns de formação para enriquecer os seus pontos de vista tendo em conta as experiências de outras famílias e as lições que os peritos em empresas familiares partilham. Além disso, os cursos para famílias empresariais constituem um grande catalisador para as famílias iniciarem processos de profissionalização das suas estruturas de governação e gestão. Existem agora vários programas online que permitem compatibilizar o trabalho como empresário e a sua formação. Adicionalmente, os proprietários das famílias empresariais têm de ser verdadeiramente responsáveis e não actuar somente como bombeiros que se dedicam a apagar os fogos que são as urgências do dia-a-dia.
A desejada continuidade da empresa familiar exige muito “músculo estratégico” e é por isso que a formação de qualidade na empresa familiar é tão importante.

Com a explosão do teletrabalho, como devemos olhar para a conciliação familiar?

A conciliação familiar é um objectivo muito relevante na nossa sociedade e o teletrabalho pode constituir uma boa ajuda. Mas o que temos visto nesta pandemia é um exercício de adaptação urgente, o qual obrigou muitos trabalhadores não só a teletrabalhar, mas também a serem tele-professores dos seus filhos, tele-cozinheiros e tele-ajudantes dos familiares mais idosos. Acredito que o teletrabalho seja uma boa fórmula, mas exige um cenário no qual se possam dedicar horas de qualidade ao trabalho, a par de uma fixação clara de objectivos e o seu respectivo controlo.

A seu ver, e apesar da incerteza, existe alguma receita que as empresas devam seguir para que possam superar esta crise sem precedentes?

Creio que a melhor receita para sair desta crise passa pela criação de condições para que a maioria das empresas consiga superar esta situação delicada sem ter de encerrar as suas portas. E na medida em que são os empresários que têm a responsabilidade de criar riqueza para sustentar o Estado-providência, os governos devem concentrar-se em salvar o tecido produtivo.

Paralelamente, e materializadas as ajudas da União Europeia, estas devem ser disponibilizadas aos empresários, especialmente em sectores que necessitam de uma grande revitalização, tais como o turismo, a indústria hoteleira ou a indústria automóvel, os quais têm também uma grande importância no produto interno bruto dos nossos países. O maior progresso residirá na possibilidade de os cidadãos conseguirem encontrar um bom emprego e, para isso, o papel das empresas é fundamental. Que ninguém se esqueça disto.

O conteúdo “As empresas familiares precisam, mais do que nunca, de liderança e de boa governança” aparece primeiro em VER.

]]>
Protecção de dados https://www.ver.pt/proteccao-de-dados/ Fri, 06 Apr 2018 11:09:23 +0000 http://ver.popularjump.com/?p=15727 Sabe realmente para que são utilizados os seus dados? De acordo com um estudo recente nos Estados Unidos, 91% das pessoas aceitam os termos e condições contratuais relativamente à cedência dos seus dados na Internet sem os ler. A percentagem aumenta para 97% no que respeita à faixa etária entre os 18 e os 34 […]

O conteúdo Protecção de dados aparece primeiro em VER.

]]>
Sabe realmente para que são utilizados os seus dados?

De acordo com um estudo recente nos Estados Unidos, 91% das pessoas aceitam os termos e condições contratuais relativamente à cedência dos seus dados na Internet sem os ler. A percentagem aumenta para 97% no que respeita à faixa etária entre os 18 e os 34 anos. E por muito que a segurança dos dados que partilhamos seja “garantida” pela empresas e plataformas que operam online, a verdade é que o controlo que temos sobre os mesmos não passa de pura ilusão. Se a privacidade está moribunda ou morta é um dos temas quentes da actualidade, e é sobre os diferentes tipos de utilização de dados, privados ou “abertos”, que versa o seguinte vídeo da BBC.

ZOOM IN

Responder

ZOOM OUT

DESAFIO

Se existe algo de positivo no escândalo do Facebook e da empresa britânica Cambridge Analytics – e que é impossível não citar no contexto do filme do mês – é que a esmagadora maioria de nós não tem a mínima ideia sobre “onde param os nossos dados privados”e para que fins são utilizados. A ausência de ética quanto à utilização desregrada das nossas informações pessoais, a capacidade inimaginável que estas plataformas têm de manipular os comportamentos dos seus utilizadores e, até agora mais grave do que tudo o resto, o poder que adquiriram para influenciar resultados eleitorais, é gritante.

No vídeo deste mês, produzido pela unidade de Investigação & Desenvolvimento da BBC, são abordadas várias temáticas relacionadas não só com a privacidade de dados, mas também com os “open data”, aqueles que, em princípio, devem ser partilhados e disponibilizados para bem da humanidade. Numa temática tão abrangente, existem, como é natural, percepções diferentes sobre o que pode, com o consentimento dos envolvidos, ser ou não partilhado, sobre a transparência – ou a sua ausência – dos dados recolhidos pelos motores de busca ou pelas plataformas sociais e sobre a forma como as empresas tratam a informação dos seus clientes, ao mesmo tempo que surgem temores variados e relacionados com o facto de que “tudo o que aparece na Internet fica na Internet”. Numa altura em que os cidadãos têm, de forma crescente, a sua vida cada vez mais exposta, o reforço das medidas que visam combater o acesso impróprio aos dados pessoais é absolutamente crucial.

Assim e mediante o Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados (RGPD), que entrará em vigor a 24 de Maio próximo em todo o espaço europeu, e sobre o qual versa também o comentário desta semana, novas e bem-vindas regras serão produzidas, obrigações adicionais terão de ser cumpridas e cada titular de dados terá o direito de saber como os mesmos estão a ser tratados.

Para além do debate das questões que integram o quiz acima, o desafio de abordar as implicações do RGPD junto da sua organização assume-se aqui com carácter de obrigatoriedade. E é bom não esquecer que o aumento das coimas pelo não cumprimento do RGPD poderá custar às empresas uma percentagem substancial do seu volume de negócios anual.

Por último, não deixe de ler o comentário de José Pedro Anacoreta Correia, responsável por esta área na Sonae.

O conteúdo Protecção de dados aparece primeiro em VER.

]]>
Um compromisso pela competitividade https://www.ver.pt/um-compromisso-pela-competitividade/ Thu, 01 Feb 2018 15:00:36 +0000 http://ver.popularjump.com/?p=15226 A pontualidade no pagamento a fornecedores contraria o estrangulamento da gestão empresarial e os reconhecidos obstáculos ao crescimento económico – incluindo falências, desemprego e concorrência desleal – gerados por atrasos sistemáticos na liquidação de facturas, por parte de empresas públicas e privadas. Seis anos depois do lançamento do Compromisso Pagamento Pontual, três câmaras municipais e […]

O conteúdo Um compromisso pela competitividade aparece primeiro em VER.

]]>
A pontualidade no pagamento a fornecedores contraria o estrangulamento da gestão empresarial e os reconhecidos obstáculos ao crescimento económico – incluindo falências, desemprego e concorrência desleal – gerados por atrasos sistemáticos na liquidação de facturas, por parte de empresas públicas e privadas. Seis anos depois do lançamento do Compromisso Pagamento Pontual, três câmaras municipais e três empresas testemunham os benefícios de uma gestão pontual, que liberta o investimento na competitividade
POR VER

Em Portugal a grande maioria das empresas, públicas e privadas, ainda liquidam as suas facturas fora do prazo acordado. Os mais recentes dados da InformaDB sobre os comportamentos de pagamento no nosso país revelam que, em Dezembro de 2017, 84% das organizações ainda eram incumpridoras a este nível. Ou, por outras palavras, apenas 16% pagaram dentro dos prazos. No mesmo mês, o prazo médio de pagamento (PMP) alcançou os 25,8 dias. E os atrasos superiores a 90 dias chegaram aos 7,4% (2,7% entre os 90 e os 120 dias e 4,7% acima dos 120 dias).

Ainda que a tendência de evolução nesta matéria venha sendo positiva (em Junho do ano passado a média do atraso na liquidação era de 26,7 dias, e em Janeiro de 27,1 dias), a inexistência de uma cultura nacional de pagamento no prazo acordado aos fornecedores é ainda uma realidade em grande parte do tecido empresarial, quer se tratem de empresas privadas ou, especialmente, públicas.

O Compromisso Pagamento Pontual, lançado em 2011 pela ACEGE – Associação Cristã de Empresários e Gestores, nasceu sob a premissa de acabar com o desconhecimento sobre os prazos de pagamento a fornecedores estipulados por lei, contrariando um ciclo vicioso com impactos devastadores na economia portuguesa (incluindo falências e insolvências, aumento do desemprego e proliferação da concorrência desleal), através de um mecanismo de gestão ética e responsável nas finanças das empresas: o compromisso público de pagamento dentro dos prazos acordados.

Actualmente, 1016 organizações (incluindo 21 com mais de mil colaboradores e 24 câmaras municipais) integram a iniciativa, que está a renovar as suas adesões para 2018. Divulgando as boas práticas que sobressaem no mercado a este nível, o VER conversou com três câmaras municipais e três empresas que aderiram, desde a primeira hora, ao Compromisso Pagamento Pontual.

CM DE ARGANIL
Manter a disciplina financeira 

Luís Paulo Costa, presidente da CM de Arganil – © CM de Arganil

A Câmara Municipal de Arganil foi o primeiro município a aderir ao movimento Compromisso Pagamento Pontual, em 2015. Para o seu presidente, honrar o compromisso assumido com a ACEGE “continua a ser uma indiscutível prioridade desta autarquia: é com orgulho, mas sobretudo com plena consciência da responsabilidade que daí advém, que a Câmara Municipal de Arganil se assume como um exemplo em matéria de políticas de pagamento aos fornecedores”, sublinha, em declarações ao VER, Luís Paulo Costa.

A autarquia trabalha diariamente para cumprir os prazos e “manter a disciplina financeira”, encarando como “uma obrigação” a adopção de práticas que “confiram segurança às empresas e protejam o emprego e a sua saúde financeira”. Segundo o presidente da CM de Arganil, “a nossa responsabilidade, enquanto entidade pública, passa por permitir que os nossos fornecedores cumpram os compromissos com os seus próprios fornecedores, fazendo com que competitividade gere competitividade”. Esta “forte consciência socialmente responsável” é o reflexo de um “fiel e sério compromisso público” assumido pela autarquia de Arganil não só com a ACEGE, mas sobretudo com o tecido empresarial do concelho e da região, garante Luís Paulo Costa.

Como explica, assumir “decidida e destemidamente esta batalha” pelo pagamento pontual exige uma política de rigor contínua e um controlo financeiro diário. “Apenas uma boa organização e funcionamento permitem que a autarquia respeite os seus compromissos, deixando de usar os seus fornecedores como uma forma de financiamento”. Nos próximos anos, o propósito do município de Arganil passa por manter o equilíbrio orçamental, adoptando medidas conscientes e responsáveis em relação à gestão de tesouraria, adianta o autarca. Continuar a gastar “apenas o que é necessário” e reduzir as despesas de funcionamento para o “estritamente indispensável” é o caminho que “queremos continuar a trilhar” para manter uma cultura de pagamentos atempados, conclui.

CM DA FIGUEIRA FOZ
Penalizar incumprimento e beneficiar boas práticas 

João Ataíde, presidente da CM da Figueira da Foz – © CM da Figueira da Foz

A Câmara Municipal da Figueira da Foz foi o segundo município de Portugal a receber o diploma de adesão ao Compromisso Pagamento Pontual, em Junho de 2015. Manifestando o “redobrado orgulho” do município nesta adesão, João Ataíde das Neves defende “todo o trabalho” que a ACEGE tem vindo a realizar no sentido de “conduzir e manter no centro do debate o tema pagar a tempo e horas”. E esclarece que, graças a esta iniciativa, em primeiro lugar, foram lançadas as bases para transformar o município, que em 2009 tinha uma elevada dívida a fornecedores (no valor de 13.536.446 euros e com um prazo médio de pagamentos superior a 200 dias), e acabou o ano de 2017 com uma dívida a fornecedores de 866.853 euros e um PMP que se estima em 23 dias. E, em segundo, foi traçado o “rumo certo”, ao assumir-se um modelo de gestão que “privilegia um rigoroso equilíbrio entre receitas e despesas efectivas”, o que assegurou à autarquia “as melhores condições de contratação, oferecendo segurança e certeza relativamente aos prazos de pagamento”.

Hoje, o executivo camarário aposta numa política de rigor financeiro e gestão equilibrada, que “tem como princípio orientador uma política de pagamento a tempo e horas, para o qual o compromisso Pagamento Pontual se afigura determinante”, sublinha o presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz.

Na sua opinião, “só adoptando um forte compromisso no pagamento a tempo e horas é possível o fortalecimento financeiro e económico, libertando a gestão das empresas da constante preocupação na cobrança e recuperação de créditos, do recurso à banca para acudir a situações de estrangulamento de tesouraria, e do recurso a processos contenciosos para cobrança, com custos associados”. O que permite que as mesmas “possam dar a atenção devida a novos mercados, novos produtos e novos processos, apoiando a competitividade e geração de emprego”.

Adicionalmente, pagar a tempo e horas “é um importante contributo para maior transparência e constitui um instrumento de combate à corrupção e combate a práticas abusivas”, afirma João Ataíde. Neste contexto, “é essencial uma atitude proactiva no sentido de penalizar práticas sucessivas e deliberadas de incumprimento dos pagamentos”, e, concretamente, criar medidas que penalizem ou beneficiem as empresas, sempre que estas apresentem um PMP, respectivamente, “superior ou inferior a determinados rácios, em particular quando apresentam avultados lucros”.

Entretanto, cabe à sociedade civil, “neste caso bem protagonizada pela ACEGE”, prosseguir a “sensibilização para a boa prática de pagar pontualmente”, junto das administrações públicas, do sector empresarial público, mas também junto do sector privado, salienta o autarca.

CM DE SINTRA
Consolidar finanças com cultura camarária

Basílio Horta, presidente da CM de Sintra – © CM de Sintra

Quando, em 2013, “assumimos funções na Câmara Municipal de Sintra percebemos, desde logo, que um dos passos prioritários da nossa estratégia política era a consolidação das finanças do município, preocupantes e insustentáveis para quem desejava, como nós, desenvolver um concelho de vastas e heterogéneas dimensões”, desabafa ao VER Basílio Horta. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Sintra, foi essa consolidação das finanças, “efectuada logo no primeiro ano de mandato”, que possibilitou “todo o trajecto que temos vindo a fazer até aos dias de hoje”.

Uma das particularidades com que a autarquia se deparou foi “a falta de cultura camarária no pagamento dentro dos prazos aos fornecedores”. O que acarretava “graves problemas a vários níveis, desde a falência de empresas ou a sua debilidade, ao desemprego e consequente decréscimo da economia local e nacional”. O problema foi solucionado “rapidamente”, garante Basílio Horta, com o município a diminuir “paulatinamente” os prazos de pagamento.

É nessa sequência de boas práticas financeiras que, em Outubro de 2016, a Câmara Municipal de Sintra integra o projecto Compromisso Pagamento Pontual, sendo o primeiro município de toda a Área Metropolitana de Lisboa a fazê-lo. A vinculação a este movimento é, pois, a concretização de um princípio já enraizado na Câmara de Sintra, conclui o autarca.

Na sua perspectiva, a inexistência de uma cultura de pagamento no prazo acordado aos fornecedores constitui um “estrangulamento para o desenvolvimento das empresas e para o crescimento da economia portuguesa”, e esta realidade “tem um impacto devastador na economia, sendo visível no número de falências que origina, no desemprego que cria e na concorrência desleal que provoca”.

Neste âmbito, o Compromisso Pagamento Pontual assume “particular importância, especialmente num contexto de menor liquidez e de difícil acesso ao crédito, em que o desvio do escasso capital disponível – de uma função de investimento para a função de apoio à tesouraria -, limita o crescimento e asfixia as empresas, especialmente as PME e as que vivem maiores dificuldades”, defende Basílio Horta.

Hoje Sintra “é, de facto, um exemplo na pontualidade de pagamento a fornecedores, actualmente fixado a dois dias”. E, como sublinha o presidente deste município, essa cultura de crescimento sustentado e de responsabilidade social “muito tem contribuído para a economia nacional, para a criação de emprego e para o desenvolvimento empresarial”.

BLUEPHARMA
Boas contas fazem boas empresas

Paulo Barradas Rebelo, presidente da Bluepharma – © Bluepharma

Na Bluepharma a estratégia implementada de investir para inovar e inovar para internacionalizar, “só pode ser bem-sucedida” num sistema em que os compromissos assumidos com todos os agentes económicos, incluindo o cumprimento dos prazos de pagamento acordados, “sejam escrupulosamente respeitados”. Quem o afirma é Paulo Barradas Rebelo, presidente do Conselho de Administração do Grupo, para quem “só desta forma podemos ambicionar ter uma empresa sustentável e uma economia com potencial de crescimento, beneficiando todos quanto os que dela dependem”.

A empresa assumiu em 2015 o Compromisso Pagamento Pontual, o qual tem vindo a renovar anualmente, porque “boas contas fazem boas empresas”. Esta é, na opinião de Paulo Barradas Rebelo, “a atitude correcta para a promoção de uma nova cultura de pagamentos e para a competitividade das empresas e da economia portuguesa”. De resto, a prática corrente de políticas de gestão de tesouraria “baseadas no sistemático atraso” nos pagamentos constitui “uma debilidade que afecta transversalmente as empresas portuguesas e que representa uma limitação competitiva face à realidade de outros países do espaço europeu”.

Neste contexto, cumprir com os pagamentos a tempo e horas “é simultaneamente assumir responsabilidades e transmitir confiança a todos stakeholders”, defende o presidente da Bluepharma. E, com base nesta convicção, a adesão ao Compromisso Pagamento Pontual “deu visibilidade à Bluepharma sobre uma prática que desde sempre instituiu, por razões éticas, de respeito pelos outros, e como factor de competitividade e atracção de um cluster virtuoso de diversos agentes económicos que gravitam à nossa volta e que comungam das nossas práticas”, conclui o responsável.

CHAGAS
Atrasos dificultam economia dinâmica 

Rodolfo Pereira, administrador da Chagas – © Chagas

De acordo com o administrador da Chagas, o Compromisso Pagamento Pontual “veio dar nome e imagem a algo que sempre procurámos cumprir e honrar:  o pagamento a todos os nossos fornecedores dentro dos prazos previamente negociados e aceites”. A empresa Florêncio Augusto Chagas conta já com mais de cem anos de história. Durante todo este período, “sempre procurámos honrar os nossos compromissos” com clientes, fornecedores, funcionários e todos aqueles que, directa ou indirectamente lidam com a empresa, sublinha Rodolfo Santos Vieira Pereira.

Na sua perspectiva, “o impacto e as dificuldades criadas pelos atrasos nos pagamentos” constituem muitas vezes “um círculo vicioso na economia”. Ora, “se os agentes económicos não o tentarem eliminar, dificilmente poderemos ter uma economia dinâmica e com confiança entre os diversos intervenientes”, afirma o administrador desta empresa.

Na sua opinião, o crescimento empresarial no país, “numa altura em que se vê um ligeiro desenvolvimento económico”, poderá ficar “comprometido” se tivermos empresas com dificuldades de tesouraria geradas, inúmeras vezes, por atrasos nos seus recebimentos. Se estas não tiverem “uma forte capacidade financeira, o que muitas vezes não acontece, não têm possibilidade de evoluir e crescer e acabam por ficar pelo caminho”, conclui.

Neste contexto, a Chagas continuará “a honrar o Compromisso Pagamento Pontual”, na expectativa de que cada vez mais empresas e organismos, quer públicos quer privados, se associem “a esta iniciativa que pode, sem dúvida, ser um veículo fundamental para a estabilidade e crescimento da nossa economia”, defende Rodolfo Pereira.

GRUPO FARIA E IRMÃO
A pontualidade depende de nós

Acácio Faria, sócio-gerente do Grupo Faria e Irmão – © Faria e Irmão

Na Faria e Irmão, a adesão ao Compromisso Pagamento Pontual “foi um acto pensado”, pois a iniciativa “transporta responsabilidades nas boas práticas empresariais e consequências na ética empresarial”. De acordo com Acácio Faria Lopes, sócio-gerente do Grupo, não só foi um acto pensado como também foi “um acto de ousadia e coragem: as nossas empresas não tinham uma cultura de pagamentos organizados e pontuais, excepto aqueles que pela sua natureza “obrigatória” teriam que ser efectuados em dia definido – encargos fiscais, bancários, salários e outros. Os demais eram regularizados “em função da tesouraria”.

Segundo o responsável, quando o grupo ouviu falar do conceito de Amor como critério de gestão, lançado pela ACEGE, e se propôs a esta vivência, entendeu que “os pagamentos pontuais e programados deviam seguir a mesma trajectória”. Acácio Lopes confessa que “não é fácil, uma vez que na nossa actividade os pagamentos são morosos”. Porém, “procuramos responder a este desafio, pagando com regularidade acordada, e em momentos de maior dificuldade contactamos o nosso fornecedor de modo a resolver as suas necessidades”.

No seu entender, este compromisso implica “despertar para uma prática na gestão que não é desprezível”, pelo contrário: é “de tal modo importante que se mede pela vida ou morte das empresas”. E, por isso, “temos procurado manter-nos fiéis ao compromisso, trabalhando cada vez com maior rigor para que os pagamentos sejam, nas nossas empresas, o testemunho de um pacto de boas práticas com os nossos fornecedores e demais credores”.

Manifestando-se orgulhoso por responder a este desafio “que nos faz construtores de um mundo empresarial mais justo e sustentado e de uma responsabilidade social que nos torna úteis numa economia que se quer virada para o Bem Comum e para uma nova era de empreendedorismo humano e responsável”, o sócio-gerente da Faria e Irmãos conclui que pagar a horas é “uma atitude” que “depende de nós, certamente”. E “a nossa já começou a mudar”, remata.

O conteúdo Um compromisso pela competitividade aparece primeiro em VER.

]]>
Coragem Moral https://www.ver.pt/coragem-moral/ Mon, 06 Nov 2017 09:30:26 +0000 http://ver.popularjump.com/?p=13275 Nos bastidores da vida, não é incomum presenciarmos situações contrárias às nossas convicções e, ao invés de intervirmos, optarmos pelo silêncio ou pela inacção. Por que motivo sentimos medo ou vergonha de expressar o que nos vai na alma? O que nos impede de agir de acordo com a nossa consciência? Numa definição generalista, coragem […]

O conteúdo Coragem Moral aparece primeiro em VER.

]]>
Nos bastidores da vida, não é incomum presenciarmos situações contrárias às nossas convicções e, ao invés de intervirmos, optarmos pelo silêncio ou pela inacção. Por que motivo sentimos medo ou vergonha de expressar o que nos vai na alma? O que nos impede de agir de acordo com a nossa consciência?

Numa definição generalista, coragem moral significa fazer o que está certo independentemente de corrermos o risco de sermos inconvenientes, ridicularizados, castigados ou até mesmo incorrermos em situações de insegurança laboral ou de status social, o que poderá levar, em última instância, a perdermos o emprego ou o “lugar” que ocupamos na nossa vida pessoal, social ou profissional.

A coragem moral exige que nos posicionemos acima da apatia, da complacência, do ódio, do cinismo, da cultura do medo face aos nossos sistemas políticos, divisões socioeconómicas e diferenças culturais e/ou religiosas.
E porque fazer o que é certo significa escutarmos a nossa consciência, ignorar essa voz poderá traduzir-se em sentimentos de inadequação, culpa, remorso ou a sensação de que a nossa integridade ficou diminuída, tal como o que acontece no vídeo acima escolhido.

Ter coragem moral significa ainda fazer julgamentos sobre acções ou comportamentos que sustentam os nossos mais elevados ideais, obrigando-nos a reconhecer as nossas responsabilidades e a questionar as consequências das nossas próprias acções – ou a sua ausência.

Assim, e depois de visualizar este pequeno filme, responda, em consciência e sem temor de ser julgado, às seguintes questões:

ZOOM IN

Responder

ZOOM OUT

DESAFIO

Apesar de o exercício da coragem moral se manifestar em todas as esferas da nossa vida, no ambiente laboral em que todos nos movemos, esta “audácia” assume contornos particularmente difíceis e de substancial importância.

A coragem moral exige doses significativas de resiliência e a capacidade de apontarmos o dedo a situações com as quais não concordamos. Seja uma decisão pouco ética por parte das chefias, seja sermos testemunhas de comportamentos injustos para com os colegas, seja sermos confrontados com “ordens” que não correspondem às nossas convicções, seja termos conhecimentos de situações imorais que poderemos reportar, sob pena de estarmos a comprar uma “guerra” com um fim muito provavelmente prejudicial a nós mesmos.

Desafiar os que têm comportamentos inapropriados, confrontando-os com os mesmos e resistir à exploração de oportunidades profissionais para benefício próprio são igualmente cenários comuns no mundo empresarial. Todos nós, de uma forma ou outra, sentimos uma enorme pressão para fechar os olhos a um conjunto indeterminado de situações que, simplesmente, vão contra as nossas convicções e princípios éticos. E é o medo que nos impede de ter voz e de fazer ouvir a nossa voz.
Assim, a proposta que lhe fazemos a propósito do filme deste mês tem como base a reflexão sobre a sua própria coragem em denunciar situações que o incomodam – não só a nível pessoal, mas também profissional -, em particular sobre a existência ou ausência de “políticas de livre expressão” e da abertura à coragem para denunciar o que está errado na empresa da qual faz parte.

Saiba ainda que demonstrar coragem moral para expressar os princípios éticos que o regem poderá reduzir, em muito, o potencial para comprometer o ambiente laboral em que se move e poder pousar a cabeça na almofada e dormir em perfeita concordância com a sua consciência. E esta possibilidade não tem preço.

Para ajudar à reflexão do tem que escolhemos para o “filme do mês” e como já é habitual, o comentário de Ana Salomé Martins, Directora de Pessoas e Comunicação da Nors, que alerta para o facto de cada vez existir uma maior relutância em partilharmos abertamente as nossas convicções, uma inibição que se espelha no núcleo das relações profissionais desconectado da voz ética.


Em caso de dificuldades a visualizar o vídeo clique aqui.

O conteúdo Coragem Moral aparece primeiro em VER.

]]>
Responsabilidade Individual https://www.ver.pt/responsabilidade-individual/ https://www.ver.pt/responsabilidade-individual/#comments Tue, 26 Sep 2017 09:56:45 +0000 http://ver.popularjump.com/?p=13277 Já me basta apagar os meus fogos quanto mais os dos outros A questão dos limites da responsabilidade é tão velha quanto a própria humanidade e faz parte integrante tanto da vida laboral, como da privada, social e até global. Se os outros não fazem, por que tenho de ser eu fazer? Se ninguém se […]

O conteúdo Responsabilidade Individual aparece primeiro em VER.

]]>
Já me basta apagar os meus fogos quanto mais os dos outros

A questão dos limites da responsabilidade é tão velha quanto a própria humanidade e faz parte integrante tanto da vida laboral, como da privada, social e até global. Se os outros não fazem, por que tenho de ser eu fazer? Se ninguém se preocupa, por que hei de eu perder o meu tempo com isso? Se não faz partes das minhas funções, o que ganho eu por estar a fazer algo para além das minhas competências? As questões aqui formuladas tanto servem para quem atira um papel para o chão, para quem passa por um acidente na estrada e segue caminho sem se preocupar, para quem nota um erro num trabalho de um colega e nada diz “porque o problema não é meu” ou para quem “descobre” algum problema em algum departamento da empresa, o qual, se não for comunicado, poderá prejudicar sobremaneira o seu bom funcionamento e consequente rentabilidade. Fechar os olhos e fingir que não percebemos é sempre a forma mais fácil de nos desresponsabilizarmos por algo que, não fazendo parte do que nos é formalmente pedido, vai para além dos nossos deveres. Adicionalmente, e independentemente do contexto laboral, este “lavar de mãos” é igualmente visível nas questões humanitárias, sociais e ambientais que nos rodeiam. Apesar de todos “quererem mudar o mundo”, são muito poucos os que realmente trocam o seu “umbigo” pela ajuda ao “outro”, elegendo-se exactamente a mesma atitude e comportamento: mas se eu já tenho os meus problemas, por que me vou preocupar com os dos outros?

Depois de visualizar este pequeno filme, e para tentar aferir qual o grau de responsabilidade individual – e colectiva – que faz parte de si enquanto trabalhador e cidadão, comece por responder às simples questões que se seguem:

ZOOM IN

Responder

ZOOM OUT

DESAFIO

Tendo em conta o estado, muitas vezes caótico, que se vive nas empresas, com recursos escassos, múltiplas exigências, prazos de difícil cumprimento e sempre “mais trabalho do que tempo para o fazer”, o tema dos “limites da responsabilidade” dará, decerto, lugar a um animado debate. Assim, a proposta é exactamente a de juntar a sua equipa e colocar-lhe esta questão em particular e saber ouvir – para melhor liderar – se a cooperação e a solidariedade entre colegas é mais forte do que o individualismo aparente nas escolhas que, todos os dias, somos obrigados a fazer, limitando-nos a cumprir aquilo a que somos obrigados.

Para estender o vasto tema da responsabilidade e responsabilização, propomos ainda um debate mais alargado, particularmente associado às responsabilidades que temos – ou idealmente deveríamos ter – face ao meio social e ambiental que nos envolve. Devemo-nos preocupar com o nosso vizinho velhinho, sem família, e que fica tão feliz quanto lhe disponibilizamos algum tempo para conversar? Devemos contribuir, com algum tipo de apoio, para as vítimas dos incêndios ou para tornar a floresta mais limpa para prevenir futuras catástrofes? As temáticas são tantas quanto as problemáticas que, globalmente, nos afectam a todos enquanto cidadãos e espécie humana. Haverá melhor tema de conversa?

Enquanto espaço de reflexão, o Ciclo de Cinema Mais Pequeno do Mundo conta este mês com o contributo de Adelaide Martins, Directora de Recursos Humanos da Acendi, autora do comentário a este pequeno filme. E vale a pena ler e pensar sobre as várias questões que nos exorta a reflectir..

O conteúdo Responsabilidade Individual aparece primeiro em VER.

]]>
https://www.ver.pt/responsabilidade-individual/feed/ 1