De acordo com os resultados do Guia do Mercado Laboral 2019 publicado pela Hays, este é um ano para o qual se prevê a continuação de um mercado laboral cada vez mais dinâmico, uma conjuntura económica positiva e uma maior confiança. Todavia, e para conseguirem atrair os melhores talentos, as empresas terão de perceber exactamente quais são as motivações e objectivos dos profissionais em cada sector
POR CARLOS MAIA

O mercado de trabalho em Portugal tem desafios interessantes para este ano e um deles é o facto de as empresas precisarem de estar cada vez mais atentas às necessidades dos profissionais e saber atraí-los para as suas empresas. Os empregadores terão de se dedicar e apresentar propostas competitivas para conseguirem contratar os melhores talentos no mercado. Um dos destaques mais relevantes para este ano é o facto de 82% dos empregadores inquiridos afirmarem que pretendem recrutar este ano. Relativamente ao volume de contratações previsto, 30% afirmam querer recrutar mais de 10 colaboradores, 14% planeiam recrutar mais de 30 e 72% destes recrutamentos serão consequência directa do crescimento das empresas em território nacional e da dinamização do mercado.

Em contraste, apenas 70% dos profissionais qualificados estão predispostos a considerarem novos desafios, segundo os resultados do Guia do Mercado Laboral 2019. A dificuldade em identificar talento está a ter um impacto directo na estratégia das empresas. Para conseguirem atrair os melhores talentos, estas terão de perceber quais são as motivações e objectivos dos profissionais em cada sector. Perceber as motivações e os benefícios pretendidos pelos profissionais qualificados começou a ser, assim, uma urgente necessidade para a retenção e atracção de talento.

Foram analisadas as intenções de recrutamento, para este ano, a mais de 600 empregadores. Concluiu-se que os sectores que serão mais procurados para este ano são os seguintes: Comercial (31%), de Tecnologias da Informação (TIC) (30%), de Engenharia (26%), Administrativos/Suporte (26%) e de Marketing e Comunicação (16%). Por outro lado, o nível de disponibilidade muda consoante a área de actuação dos profissionais, sendo bastante mais acentuada nos sectores de Contabilidade e Finanças, Banca e Seguros, Recursos Humanos, Legal e Engenharia.

[quote_center]O mercado é liderado pelo candidato, por isso é necessário atrair os talentos para além da oferta salarial[/quote_center]

O mercado é liderado pelo candidato, por isso é necessário atrair os talentos para além da oferta salarial. Os benefícios são uma alternativa interessante para os empregadores acompanharem as exigências dos candidatos. No entanto, de acordo com os resultados, os benefícios que os candidatos pretendem não vão ao encontro dos benefícios oferecidos pelas empresas. Os profissionais qualificados destacam os seguintes principais benefícios por ordem de preferência: o seguro de saúde (78%), a formação e certificação (68%), a flexibilidade de horários (62%), o automóvel para uso pessoal (48%) e a possibilidade de trabalhar a partir de casa (44%). Por outro lado, os cinco principais benefícios oferecidos pelas empresas são: o cartão ou ticket refeição (68%), seguro de saúde (64%), telemóvel para uso pessoal (61%), refeitório/espaço para refeições (59%) e formações/ certificações (56%).

Após analisados e apresentados os benefícios preferenciais dos candidatos, é necessário perceber e analisar as principais motivações para uma mudança de emprego. As cinco principais motivações apontadas foram o pacote salarial, perspectivas de progressão de carreira, procura de projectos mais interessantes, insatisfação com a empresa e, por fim, a insatisfação com a chefia directa.

[quote_center]Apenas 70% dos profissionais qualificados estão predispostos a considerarem novos desafios[/quote_center]

Se as empresas perceberem as motivações dos profissionais que trabalham em Portugal e agirem de acordo com as suas necessidades, tal percepção poderá trazer alguns benefícios no que toca a atrair os profissionais portugueses qualificados que estão emigrados. Teremos que ser atractivos primeiro internamente, para atrair depois externamente. Extremamente importante é o facto de 78% dos emigrantes terem o desejo de voltar a trabalhar em Portugal, sendo que 43% revelam a intenção em fazê-lo até 2021. Entre 2011 e 2013, a disponibilidade de emigração registava os 80%, uma das fases mais críticas do país. Hoje os valores são claramente diferentes, existindo apenas 37% dessa disponibilidade. O factor principal que influencia esse regresso prende-se com questões salariais mais atractivas, motivos pessoais ou familiares, vontade de viver em Portugal, projectos interessantes ou inovadores e condições contratuais interessantes. Verificou-se também que a possível redução do IRS sobre metade do rendimento, para profissionais no estrangeiro que pretendam regressar a Portugal até 2020, não terá influência.

Estas são algumas das tendências que analisamos para este ano. Acreditamos que parte da nossa missão passa por ajudar a nomear as tendências de mercado de ano para ano e quais as medidas que moldam o mundo laboral. Assim, com os resultados que obtemos anualmente, há mais de 15 anos que pretendemos dar uma visão global às empresas e aos profissionais qualificados sobre o mercado, para que os mesmos tenham acesso às informações que necessitam para alcançar os objectivos em cada ano.

Carlos Maia

Regional Director da Hays Portugal