Já todos percebemos que por irresponsabilidade, incompetência e falta de verdade, de governantes e políticos, vamos ter que enfrentar tempos duros e exigentes. Temos uma dívida gigante para pagar, um Estado pesado e burocrata, reduções nos apoios sociais, ausência de crescimento económico e uma população a envelhecer
POR PEDRO ROCHA E MELO

Não bastando esta situação, nos últimos anos foram seguidas políticas que promoveram o individualismo e o consumismo. Fomentou-se o endividamento, criou-se uma cultura de direitos sem deveres, de sucesso fácil, sem exigência e trabalho, atacaram-se valores fundamentais, como o casamento e a família.

Mas esta crise económica e financeira que afecta o nosso país é também uma excelente oportunidade para reflectirmos sobre o que queremos construir para o futuro. E é aqui que entram as famílias portuguesas, como um caminho de esperança.

Em primeiro lugar, as famílias devem ser uma fonte de vida, contribuindo para combater o grave problema demográfico de envelhecimento da população. A sustentabilidade da economia e das empresas precisa de mais crianças e jovens, que nos tragam espírito empreendedor e inovador, e sejam a força de trabalho para o futuro.

Em segundo lugar, as famílias têm que ser o garante da solidariedade intergeracional, dando resposta a muitos dos problemas sociais que iremos enfrentar no futuro próximo. O Estado, já o sabemos, não terá capacidade para suportar todas as situações de pobreza, desemprego, reforma e solidão. Terão que ser as famílias, a par das empresas e das instituições religiosas e de solidariedade social, a encontrar as soluções que assegurem a sustentabilidade e coesão social do país.

Em terceiro lugar, as famílias, como instituições intermédias entre os indivíduos e a sociedade, deverão assumir a responsabilidade de serem as “fábricas” do desenvolvimento humano, escolas de competências e valores. É a partir das famílias, e através do exemplo de pais e educadores, que prepararemos as crianças e jovens para o futuro. Fomentando uma cultura de verdade, exigência e confiança, em nós e nos outros. E formando mulheres e homens livres e responsáveis.

É claro que é necessário criar condições para que as famílias possam dar este contributo. O que passa por políticas que não penalizem a natalidade mas, sobretudo, por práticas de conciliação entre a família e o trabalho.

É muito importante fomentar a flexibilidade dos contratos e horários de trabalho, a par do trabalho a tempo parcial. De acordo com dados da Pordata, enquanto em Portugal apenas 16% das mulheres trabalha a tempo parcial, a média da UE27 é superior a 31%, havendo o caso da Holanda, onde mais de 75% das mulheres o fazem.

É urgente trazer este tema para o debate nacional e para as preocupações dos líderes empresariais portugueses, porque o nosso futuro será o que começarmos hoje a construir.