Em tempos de crise, o crowdfunding – na sua forma mais abrangente, o crowdsourcing – pode representar uma alternativa ao financiamento de projetos e empresas. Há uma ferramenta única queapoia empresários a implementarem as suas estratégias de responsabilidade social
POR JAMES KIRKBY*

Há uma nova plataforma para apoio a projectos de ajuda humanitária e de cooperação para o desenvolvimento. Assente na ideia de fundir as novas tecnologias com a necessidade de ajuda e de cooperação, a Olmo, nome da plataforma e da associação que a sustenta, é sobretudo uma ferramenta que pretende partir do crowdfunding (financiamento colaborativo) e generalizar, neste domínio, o crowdsourcing (ajuda colaborativa).

A Olmo permite não só a doação de dinheiro para ajudar os projectos presentes na plataforma, como também de bens e serviços. A ideia é que possamos doar bens de que dispomos ou mesmo, no caso de empresas, matérias produzidas, que são necessários aos projectos disponíveis, como, por exemplo, equipar uma biblioteca ou construir um viveiro hortícola. Além disso, é possível, doar o nosso tempo e o nosso saber, proporcionando à plataforma a doação de horas de colaboração efectiva de recursos e capital humano, como sejam os de um arquitecto ou os de um contabilista.

A Olmo está em funcionamento na sua versão beta, que corresponde à fase-piloto de lançamento. Qualquer pessoa pode fazer uma doação, mas apenas para projectos que foram pré-aprovados, sendo assim possível testar a plataforma em ambiente real. Estima-se que no prazo de seis meses a plataforma seja aberta a todos os que queiram submeter projectos e conseguir ajuda colaborativa para fazer deles um sucesso.

A Olmo é uma plataforma que nasce em Portugal, virada para o mundo. Nesta fase Beta, já foram submetidos projectos de São Tomé e Príncipe, Portugal e Moçambique. Mas a sua ambição é extrapolar geograficamente e aceitar projectos de outros países. São aceites projectos de cariz social e de desenvolvimento comunitário, que não estejam em nenhuma outra plataforma de captação de fundos ou recursos, promovidos por organizações não-governamentais, no terreno há mais de dois anos.

Para já, são três os projectos à espera de um «empurrão» para avançar. Todos a implementar em África, dois na área da educação e um dedicado à agricultura comunitária. O projecto «Ler mais», em Moçambique, tem como missão equipar a biblioteca da Comunidade de Nhambira com livros e material escolar, enquanto a «Escola Aberta», em São Tomé e Príncipe, quer ajudar cerca de quatrocentas crianças por ano, com a distribuição de material escolar, vestuário, alimentação ou medicamentos. Em Moçambique, um viveiro comunitário pretende apoiar cinco mil famílias dos Bairros de Ferroviário, Costa do Sol e KaMavotas, através da produção de hortícolas.

A Olmo é uma associação aberta a todos os que queiram promover a ajuda humanitária através de novas tecnologias

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Enquanto projecto, a Olmo nasceu de forma colaborativa, em resultado da visão e do empenho de pessoas singulares e de empresas – a TWO e a Terceiro Quadrante -, sendo hoje uma associação aberta a todos os que queiram promover a ajuda humanitária através de novas tecnologias.

A ideia surgiu de um empresário dinamarquês residente em Portugal, Erik Faerch, que pediu à consultora Terceiro Quadrante, da qual faço parte, para pensar em formas inovadoras de facilitar o apoio por parte de empresas a projectos de desenvolvimento social. Após uma aprofundada pesquisa,  percebemos que o crowdsourcing poderia ser uma ferramenta única para as empresas na implementação das suas estratégias de responsabilidade social. Através dele as empresas têm a  possibilidade não só de contribuir com fundos, mas também de contribuir com aquilo que produzem ou com o capital intelectual que possuem internamente.

No caso da Plataforma Olmo, os promotores sociais não se limitam a apresentar o projecto e um orçamento global. A plataforma foi desenhada de forma a permitir que estes não só apresentem os seus projectos, mas que também possam descrever as necessidades reais para a sua implementação. Desta forma, através da “lista de compras” do projecto (como se se tratasse de uma “lista de casamento”), qualquer entidade ou indivíduo pode realizar uma doação em dinheiro, transferindo o montante necessário para adquirir um bem ou serviço específico; mas também pode doar esse produto ou serviço específico em espécie.

Isto significa que empresas ou pessoas podem doar não só dinheiro, mas também materiais que produzam ou que tenham em excesso, ou mesmo disponibilizar o seu tempo, ou o dos seus trabalhadores, no caso de uma empresa, para prestar um serviço específico necessário a um projecto. Esta política de abertura e transparência, relativamente aos orçamentos dos projectos permite também aos doadores saberem exactamente qual o destino da sua doação e como esta vai ser utilizada.

A Olmo vem facilitar a vida aos empreendedores sociais, que podem assim apresentar os seus projectos a um maior número de potenciais doadores, aumentando as probabilidades de conseguirem os fundos necessários para a sua concretização. A plataforma diversifica as fontes de financiamento disponíveis para os promotores sociais, muitas vezes centradas em programas de grandes doadores, muito burocráticos e com limites mínimos de financiamento demasiado elevados para alguns projectos.

James Kirby

Presidente da Associação Olmo e fundador da plataforma