A BP actua há 83 anos em Portugal, integrando no seu ADN uma política de RS e Cidadania Empresarial que privilegia as áreas intrinsecamente ligadas ao core business da empresa. Em entrevista, o director de Comunicação da BP Portugal adianta que num ano particularmente difícil, “considerámos ser crucial manter o nível de empenho nas nossas actividades na área da Educação para a Cidadania, Prevenção Rodoviária e Ambiente
POR GABRIELA COSTA

Tendo por base uma gestão ética e uma política consolidada de Responsabilidade Social Corporativa, a BP Portugal assume-se como “uma empresa cidadã, que valoriza práticas envolvendo “toda a sociedade, tendo em consideração o contexto socioeconómico”. Neste âmbito, actua a partir de três eixos estratégicos: Educação e Prevenção, Ambiente e Energia e Apoio Social.

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Luís Roberto, director de Comunicação e
Relações Institucionais da BP Portugal

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Defendendo que a Responsabilidade Social Corporativa é vista, actualmente, como uma área de importância estratégica ao nível das organizações e que “tem levado a maior parte das empresas a adoptar, cada vez mais, um modelo integrado de gestão, através do qual o impacto social da sua actividade está no centro da operação do negócio”, Luís Roberto afirma que “embora pioneiros na implementação de projectos de RS no nosso País, soubemos evoluir e adaptar-nos aos novos tempos”. Por isso, “adoptámos um modelo integrado de gestão, no qual os projectos socialmente responsáveis estão intimamente ligados ao negócio da empresa”, sublinha, em entrevista ao VER.

A implementação interna deste modelo “permite-nos defender que uma vez que desenvolvemos a nossa actividade no sector energético, o Ambiente e a Energia, a Educação e a Prevenção, nomeadamente a Rodoviária e Ambiental, têm de ser parte integrante dos nossos eixos centrais de actuação ao nível da RSC”, explica o director e Comunicação e Relações Institucionais da BP Portugal: “entendemos que a nossa actuação nestas áreas, intrinsecamente ligadas ao nosso core business, nos permite dar uma contribuição mais significativa para a sociedade, uma vez que colocamos todo o nosso conhecimento e know-how neste sector ao serviço da população”.

Esta experiência da BP Portugal “permite-nos defender que as empresas que se envolvem em projectos de RS estão particularmente empenhadas em integrar os valores do desenvolvimento sustentável na sua gestão, trabalhando não só para satisfazer as suas próprias necessidades, mas também para contribuir para o bem-estar da sua geração e das gerações futuras”, zelando e respeitando os interesses de todos, conclui.

Que balanço faz da actividade da BP Portugal, que integra desde sempre no seu ADN uma política de RS e Cidadania Empresarial face a colaboradores e comunidade envolvente?
A sustentabilidade da nossa actividade e a melhoria das condições de vida da comunidade onde nos inserimos são os grandes objectivos das políticas de RS que a BP Portugal tem implementado ao longo de mais de uma década no nosso País. Considerada uma área estratégica da empresa, e parte integrante do seu código genético, a materialização deste pilar social é visível interna e externamente, não só através das ações que a própria BP Portugal cria e implementa, mas também dos projectos de cariz social, educativo ou ambiental nos quais se envolve através de parcerias e da celebração de protocolos de colaboração.

Com largos anos de experiência na implementação e desenvolvimento de acções de RS, consideramos que a empresa e os seus colaboradores têm tido uma participação cada vez mais activa na melhoria das condições de vida da comunidade. Se estas ações têm contribuído para o desenvolvimento de uma dinâmica de proximidade com os vários parceiros, também gostaríamos de salientar um envolvimento crescente dos nossos clientes, colaboradores e fornecedores nas causas em que a BP Portugal se envolve e acredita.

“A realidade mostra-nos que é imperioso antecipar os desafios através de uma aposta consistente na investigação, na inovação e na cooperação entre empresas e sociedade” .
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Do nosso ponto de vista, o envolvimento que a empresa e os seus colaboradores têm mantido ao longo dos anos com a comunidade tem-se revelado um sucesso. Estamos todos cada vez mais cientes da importância do relacionamento da empresa com a sociedade, e em particular com as instituições de Solidariedade Social, e temos todos, cada vez mais, consciência de que as parcerias que temos estabelecido e reforçado, ao longo da nossa existência, contribuem para o apoio e desenvolvimento sustentável da comunidade, proporcionam qualidade de vida aos cidadãos e, em última análise, permitem o nosso enriquecimento pessoal e colectivo enquanto companhia a operar em Portugal.

Temos consciência de que os colaboradores são os principais agentes internos da empresa, corporizando toda a actividade empresarial e assegurando o relacionamento com o meio exterior. Por isso, faz parte da nossa preocupação quotidiana materializar práticas socialmente responsáveis com impactos directos na melhoria das condições de trabalho e na motivação dos recursos humanos, nomeadamente ao nível da sua gestão, mas também da saúde e segurança no trabalho, da adaptação à mudança e no âmbito da gestão do impacto ambiental e dos recursos naturais.

Valorizamos muito esta forma de estar, que tanto a nível interno como externo pode assumir-se como um factor diferenciador e uma mais-valia no mercado, com benefícios para o negócio e para a comunidade.

Face à conjuntura socioeconómica que o País atravessa, a BP Portugal manteve este ano o seu investimento em RS, nomeadamente para  o desenvolvimento de parcerias e projectos de cariz social?
A BP investe anualmente todo o seu know-how e experiência desenvolvendo e reforçando parcerias e projectos de cariz social. Para nós esse empenho não é quantificável do ponto de vista financeiro. O fim último de todas as nossas ações de RS é melhorar a qualidade de vida das populações e dotá-las de ferramentas, seja ao nível da formação ou da sensibilização, para melhorarem o seu quotidiano.

Esta nossa atitude não poderia alterar-se num ano particularmente difícil como o que enfrentamos. Face a este contexto, em que as dificuldades socioeconómicas fustigam a sociedade, e as entidades não-governamentais e as IPSS portuguesas tentam, um pouco por todo o País, colmatar as dificuldades das populações e suavizar o seu quotidiano, considerámos ser crucial manter o nível de empenho nas nossas actividades na área da RS, da Educação para a Cidadania e da Prevenção Rodoviária e Ambiente. Nesse sentido, reforçámos os laços já existentes com várias entidades que apoiam as populações e forjámos novas parcerias com o objectivo de suportar a comunidade de uma forma abrangente.

O protocolo que celebrámos recentemente com Fundação do Gil e, através desta, com as UMAD  – Unidades Móveis de Apoio ao Domicílio, insere-se no capítulo das novas parcerias estabelecidas este ano pela BP Portugal. O trabalho desenvolvido por estas carrinhas é o expoente máximo desta nossa preocupação com o bem-estar da população, pois as unidades móveis fornecem uma estrutura de apoio às crianças e jovens hospitalizados, permitindo acelerar a sua saída do internamento hospitalar e o seu regresso à família, melhorando a sua qualidade de vida e bem-estar, sobretudo ao nível dos afectos.

© DR

Face à contracção económica, ao aumento galopante do desemprego e ao agudizar da situação de muitas famílias portuguesas, a empresa apostou em iniciativas com vista a contribuir para a redução das situações de maior emergência?
O esforço da BP Portugal em apoiar a comunidade na qual está inserida e em promover o seu bem-estar está intimamente ligado com a nossa história. Assumimo-nos como um parceiro do País e, por isso, a degradação das condições socioeconómicas da população portuguesa nos anos mais recentes veio reforçar, ainda mais, este nosso sentido de Responsabilidade Social.

Apesar da grave crise económica em que o País está mergulhado, e da tendência de desinvestimento por parte das empresas a nível nacional, a BP decidiu manter as parcerias já existentes e firmar novos acordos, como referi.

Mantivemos a parceria que celebrámos em 2010 com a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), através da qual beneficiamos mais de 3 mil das suas filiadas, nomeadamente, IPSS e Casas da Misericórdia, concedendo aos seus funcionários e dirigentes um conjunto de benefícios comerciais na aquisição de diversos produtos e serviços BP.

Renovámos o protocolo de parceria que mantemos há mais de uma década com a Associação CAIS, apoiando a sua missão de melhorar as condições de vida de pessoas desfavorecidas e em situação de exclusão perante a sociedade, ao colocar ao seu dispor alguns dos bens e serviços das suas áreas de negócio.

Mantemos desde 2008 o apoio ao Refúgio Aboim Ascensão, através dos nossos revendedores e concessionários na zona do Algarve, que fornecem combustíveis líquidos e gás a esta IPSS, que é hoje um grande centro de Acolhimento Temporário de Emergência, o primeiro a ser criado em Portugal para crianças em risco até aos seis anos de idade.

E apoiamos as UMAD da Fundação do Gil, como disse, contribuindo com combustível para garantir a mobilidade das carrinhas, as quais já asseguraram a realização de cerca de 10 mil visitas clínicas e sociais em agregados familiares dispersos por 11 distritos de Portugal Continental.

A empresa vem também associando o seu nome a campanhas de sensibilização, por exemplo o Movimento ECO e os projectos 100% Cool e BP Segurança ao Segundo, agora reforçado com um protocolo com a Associação Salvador. O que visam estas iniciativas e qual é o envolvimento da BP nas mesmas?
A BP Portugal considera o tema da segurança e prevenção rodoviária prioritário na execução da sua estratégia de RSC e no desenvolvimento sustentável da comunidade onde se insere. Ao apoiar e desenvolver projectos nesta área, a BP procura contribuir para a educação e formação da comunidade, elevando a consciência social.

“Acreditamos que conseguiremos ajudar Portugal no sector energético, e a atingir as ambiciosas metas ambientais estabelecidas pela União Europeia” .
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Um dos exemplos do nosso empenho nesta área é a parceria que mantemos há mais de uma década com a ANEBE – Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas, no âmbito de uma das mais antigas campanhas nacionais nesta área, o Projecto 100% Cool. Nesta iniciativa, que já promoveu as boas práticas de condução junto de 100 mil jovens, desde 2001, a BP Portugal contribuiu com 72 mil litros de combustível, por via da distribuição de vales de descontos (no valor de 20 Euros) aos jovens que durante as operações de fiscalização coordenadas pela PSP e GNR apresentaram uma taxa de alcoolemia zero.

No entanto, face aos dados da Associação Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) relativamente à sinistralidade, sentimos a necessidade de reforçar a prevenção nesta área junto dos jovens: é deste sentimento que nasce, em 2011, o projecto “BP Segurança ao Segundo”, o qual promove a prevenção e segurança rodoviária junto de futuros condutores e, simultaneamente, o debate do tema nos estabelecimentos de ensino.

Desenvolvido em conjunto com o Automóvel Clube de Portugal, a Fórum Estudante e a Associação Salvador, com o apoio da ANSR, tem por objectivo desafiar os futuros condutores, estudantes do ensino secundário ou profissional, a elaborar um spot publicitário sobre um dos cinco temas de prevenção e segurança rodoviárias considerados como os principais factores de risco: excesso de velocidade, condução sob o efeito de álcool, telemóvel, cinto de segurança e sonolência ao volante. “Não estilhaces a tua vida” foi o título do spot vencedor, a cargo de uma equipa de alunos da Escola Secundária de Oliveira de Hospital, da edição de 2013, que reuniu mais de mil participantes de 101 escolas secundárias.

Ainda na área da Prevenção Rodoviária, a BP Portugal celebrou em 2012 um protocolo de parceria com a Associação Salvador, que promove a integração de pessoas com deficiência motora na sociedade, associando o seu nome a esta causa.

O ambiente, com cuja preservação estamos fortemente comprometidos, é uma das áreas que está no topo das nossas prioridades, não só através do envolvimento em campanhas de preservação no terreno, com a Fundação Floresta Unida, ou em ações de prevenção dos Incêndios Florestais, em parceria com o Movimento ECO (entidade com a qual acabámos de renovar o protocolo de cooperação), mas também mediante o nosso apoio a projectos educativos e de sensibilização para o desenvolvimento sustentável, como o Courseware SERe, implementado em parceria com a Universidade de Aveiro e Ludomedia, dedicado à sustentabilidade dos recursos energéticos e ambientais.

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A nível global, a BP investiu cerca de 80 milhões de Euros em investigação académica no sector energético.  Com que objectivos tem a BP Portugal vindo, também, a estreitar a cooperação com esta área, onde tem implementado projectos como a BP Academia e o Courseware SERe?
Num momento em que o desenvolvimento económico e social a nível mundial coloca cada vez mais desafios às sociedades e às organizações que as integram, as empresas têm de estar preparadas para encontrar soluções que respondam às necessidades de uma população com um ritmo de crescimento sem precedentes.

Com a pressão demográfica a aumentar e a impactar directamente a ordem económica, ambiental e social, já não é suficiente responder aos desafios. A realidade mostra-nos que é imperioso antecipá-los através de uma aposta consistente na investigação, na inovação e, sobretudo na cooperação entre empresas e sociedade em geral porque as necessidades de hoje serão certamente diferentes amanhã.

Mas a BP tem consciência que este trabalho de procurar e encontrar alternativas viáveis tem de ultrapassar as fronteiras das empresas e envolver as academias e a sociedade em geral. Com vista à promoção deste espírito de cooperação e partilha, temos apoiado e promovido nos últimos anos o desenvolvimento de inúmeros projectos, em parceria com a comunidade científica e académica. Em Portugal, além das parcerias com instituições académicas, como a Universidade de Aveiro, a empresa tem vindo também a desafiar o mundo académico a reflectir sobre a temática através da iniciativa “BP Academia”, criada em parceria com o ISCTE-IUL.

Enquanto empresa responsável, acreditamos que com o nosso know-how e aconselhamento no sector energético conseguiremos ajudar Portugal a enfrentar os problemas nacionais de energia e a atingir as ambiciosas metas ambientais estabelecidas pela União Europeia.

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Gabriela Costa

Jornalista