A maioria (74%) dos inquiridos no Barómetro de Maio da ACEGE discorda da proposta sobre a redução, por parte do Banco de Portugal, das provisões para riscos gerais com o objectivo de aumentar o valor dos lucros a entregar ao Estado. De acordo com este inquérito mensal feito a empresários e gestores, 77% dos inquiridos consideram que o actual crescimento económico não é sustentável, e 67% acreditam que não estão reunidas as condições, em termos económicos, para que se possa aliviar a carga fiscal sobre as famílias e empresas, já no próximo Orçamento do Estado
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Quase metade (49%) dos empresários e gestores inquiridos no Barómetro de Maio da ACEGE – Associação Cristã de Empresários e Gestores discorda da proposta do grupo de trabalho sobre a sustentabilidade das dívidas externa e pública de aumentar o prazo de pagamento dos empréstimos europeus a Portugal de 15 para 60 anos. Complementarmente, a larga maioria (74%) também discorda da proposta do mesmo grupo, sobre a redução, por parte do Banco de Portugal, das provisões para riscos gerais com o objectivo de aumentar o valor dos lucros a entregar ao Estado (dinheiro este que poderia servir para amortizar a dívida pública).

De acordo com o Barómetro realizado em parceria com o Observador, a TSF e a Netsonda, 63% dos inquiridos concordam com a possibilidade de se introduzirem mais escalões de rendimento no IRS, contra 30% que discordam e 7% que preferem não responder ou não têm uma opinião formada sobre este tema.

Relativamente aos estímulos ao crescimento empresarial, 62% dos respondentes não concordam que existem actualmente mais incentivos do Estado à criação de empresas e à diminuição do número de insolvências, sendo que 42% discordam da ideia de que Lisboa, Vale do Tejo, Alentejo e Algarve estão a ser mais beneficiados que outras regiões do País, em termos de estímulos ao crescimento empresarial.

Empresários surpreendidos com o crescimento da economia portuguesa

Uma nota curiosa está relacionada com o facto de 73% dos empresários e gestores se terem revelado surpreendidos com o crescimento da economia portuguesa, em 2,8%, no primeiro trimestre deste ano, contra 26% que não demonstraram surpresa. Contudo, para 77% dos inquiridos, este crescimento económico não é sustentável, e para 67% não estão reunidas as condições, em termos económicos, para que se possa aliviar a carga fiscal sobre as famílias e as empresas, já no próximo Orçamento do Estado.

[quote_center]A maioria dos empresários concorda com a introdução de mais escalões de rendimento no IRS[/quote_center]

O inquérito, que mensalmente toma o pulso ao sentimento económico face às questões da actualidade, inclui a questão fixa “Como define o seu estado de espírito em relação ao País?”. A exemplo das edições anteriores, os executivos continuam a revelar tendencialmente um sentimento pessimista. Contudo, este sentimento poderá estar a mudar ligeiramente, já que na presente edição o indicador que revela a maior percentagem (35%) é o dos que não se sentem “nem pessimistas nem optimistas”. O grupo dos “moderadamente optimistas” sofreu um ligeiro aumento face à edição anterior, tendo passado de 30% para 34%, e o grupo dos “moderadamente pessimistas” diminuiu de 34%, em Março, para 26% na presente edição. Complementarmente, um outro sinal de melhoria está ainda relacionado com a diminuição da percentagem de inquiridos que se revelam “francamente pessimistas”, a qual passou de 9%, na última edição, para 5%, no presente mês. Como habitualmente, ninguém se manifesta francamente optimista em relação à actual situação do País.

Realizado em colaboração com a Netsonda junto de altos responsáveis de empresas portuguesas, este inquérito mensal é constituído por perguntas de sentimento económico formuladas pelos três parceiros da iniciativa e enviadas aos gestores associados da ACEGE. A presente edição do Barómetro foi realizada entre os dias 22 e 31 de Maio, período durante o qual foram questionados 1272 empresários e validadas 163 respostas.

Aceda aos resultados do Barómetro.