A matriz da Bel Portugal é cuidar e começar “por dentro” é o melhor cartão de visita. A nossa equipa de Liderança e RH continua alerta e muito próxima para alterar e adaptar aquilo que é necessário. Alteração/adiamento de projetos, contratação de recursos adicionais para suportar áreas em esforço, reforços de coberturas de saúde, uma conversa, uma palavra, um esclarecimento, uma ajuda. Tudo conta nesta fase
POR EDGAR SABINO

(…) Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou (…)

Estou Além, António Variações

Não sei porquê, mas assim que me sentei a escrever esta partilha, o meu pensamento inclinou-se para esta canção do António Variações (acho que tudo na vida tem direito a uma banda sonora. Dá sempre outra cor!). O momento que vivemos é assim mesmo, uma mistura de sentimentos, contradições, uma vida às avessas. Ninguém se tinha preparado para isto! Somos todos “pata-tenras” nesta matéria.

A pandemia COVID-19 começou lá longe, mas rapidamente encheu os canais de televisão, jornais e pouco depois as nossas vidas. Tivemos de nos adaptar, pessoalmente e profissionalmente. Assim de repente, já passaram quase 12 meses desta nova realidade e muito há para contar.

Vou partilhar com o leitor aquilo que temos vivido na Bel Portugal, uma subsidiária do Groupe Bel, multinacional de origem francesa que opera na área do snacking saudável, que tem como missão disponibilizar produtos saudáveis e responsáveis para todos, pelo bem. Sem perder muito tempo com ‘publicidades’, refiro apenas que um dos valores corporativos da empresa é “Cuidar”. Em tempos de pandemia, é uma excelente oportunidade para fazer o “walk the talk”, ou seja, agir de acordo com o que advogamos, ou perder uma ótima oportunidade para justificar os “posters na parede”.

O primeiro confinamento trouxe inúmeras mudanças, incertezas, receios e muito trabalho adicional. Tivemos de nos adaptar e reinventar. As nossas fábricas nunca pararam de laborar (Beldone!), pois a missão de continuar a abastecer os nossos clientes e consumidores era fundamental. Se a cadeia de abastecimento alimentar falhasse, mais problemas teríamos na nossa sociedade. Tudo fizemos para proporcionar as melhores condições de saúde e segurança aos nossos colaboradores (EPIs, alterações das formas de trabalho, distanciamento social, teletrabalho, apoio psicológico, etc.).

Participámos em fóruns de alinhamento internacional, reuniões diárias de status, foram criados novos relatórios, estreitaram-se laços com as equipas médicas, apoiaram-se inúmeras instituições de saúde e IPSS. Mais do que isso, cuidar significou fazer acompanhamentos diários aos colaboradores, fazer o check emocional (Olá colaborador X! Como te estás a sentir? Há algo que possamos fazer por ti?), significou formar chefias em Primeiros-Socorros psicológicos porque já na 1ª fase da pandemia se falava dos impactos na saúde mental, significou criar um programa de bem-estar com sessões variadas (workshops, treinos funcionais e sessões de mindfullness) e significou ter a coragem de parar projetos/prioridades para evitar situações de burnout e potenciar a conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional. Se tudo resultou na plenitude? Certamente que não! Mas aprendemos com isso, adaptámos e avançámos, sempre com a segurança e bem-estar dos nossos colaboradores e famílias no topo das prioridades.

Nos vários momentos em que avaliámos o estado de espírito dos colaboradores o feedback foi sempre muito positivo, motivado pela preocupação que a empresa teve em informar, comunicar, adaptar, envolver e acompanhar toda a situação da COVID-19. Muita coesão, orgulho de ser Bel e um compromisso reforçado. Quando se falava no tema pandemia em específico, os resultados eram mais baixos, ninguém sabia quando ia passar, se íamos ter novas vagas, se nos podia tocar a nós ou a algum familiar ou amigo, a incerteza era grande.

Uns meses depois vieram as férias de verão, um pouco esquisitas. Depois o início do ano escolar, com todos os receios e mais alguns. E depois as Festas, o Natal e o Ano Novo, mas não vamos por aí…

O facto é que em fevereiro de 2021 estamos em plena 3ª vaga e o cansaço começa a acumular. Reuniões pelo Teams a ocupar grande parte do dia, a dinâmica de uma empresa líder no sector FMCG, as faltas de contacto pessoal com colegas, amigos e família, de escapes, de ar livre, começam a pesar. Sentimos as pessoas mais sobrecarregadas e em alguns casos desesperançadas, ansiosas que este pesadelo passe. Mas também há casos positivos, não do vírus, mas sim de pessoas em que a COVID lhes mudou a vida, para melhor, com novas rotinas, novos estilos de vida mais equilibrados.

A matriz da Bel Portugal é cuidar e começar “por dentro” é o melhor cartão de visita. A nossa equipa de Liderança e RH continua alerta e muito próxima para alterar e adaptar aquilo que é necessário. Alteração/adiamento de projetos, contratação de recursos adicionais para suportar áreas em esforço, reforços de coberturas de saúde, uma conversa, uma palavra, um esclarecimento, uma ajuda. Tudo conta nesta fase.

O nosso plano EFR sofreu inevitavelmente alterações, mas tentámos realizar as atividades marcantes e emblemáticas que nos caracterizam (ex: Dia da Família), para mantermos o contacto, o espírito positivo e o envolvimento com os colaboradores e famílias. Posso destacar o lançamento muito recente do nosso EAP (Employee Assistance Program) que traz novas valências de apoio a colaboradores e familiares (24/7 aconselhamento telefónico, aconselhamento pessoal/psicológico, aconselhamento jurídico/legal, aconselhamento fiscal e financeiro e aconselhamento psico-social, bem como campanhas de sensibilização) nesta fase complicada e incerta das nossas vidas.

Não há mapas para navegar nesta pandemia. A experiência de 2020 ajuda, mas a proximidade, a compreensão, a empatia, a vontade de ajudar e fazer o bem, bem feito, podem ser ingredientes chave para uma boa receita.

A ver se tudo isto passa, para voltarmos todos a querer ir aonde não vamos.

Edgar Sabino

Senior HR & Communications Manager na Bel Portugal