No congresso de 2020, pretende-se que a celebração do centenário do nascimento de São João Paulo II seja uma luz potente para iluminar os caminhos do futuro do trabalho. O seu grande interesse pela natureza e dignidade humanas, a sua própria experiência de um trabalho físico extenuante durante a ocupação nazi da Polónia e o seu amor pela cultura e pela história levaram-no a ter uma aguda consciência da centralidade do trabalho como parte integrante da vida humana
POR ANA MACHADO

De 25 a 27 de junho de 2020, Lisboa recebe um congresso internacional sobre The Future of Work: Human Dignity in an Era of Globalization and Autonomous Technology, organizado pelo John A. Ryan Institute, da University of St. Thomas (Minnesota) e pela AESE Business School.

Em 1920, morria Max Weber, o autor de “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. Também em 1920, nascia Karol Wojtyla, futuro Papa João Paulo II, um dos grandes nomes de “A Ética Católica e o Espírito do Trabalho”, embora a sua obra, nesse âmbito, não se tenha traduzido num livro, mas em escritos vários e sobretudo numa experiência de vida.

No congresso de 2020, pretende-se que a celebração do centenário do nascimento de São João Paulo II seja uma luz potente para iluminar os caminhos do futuro do trabalho. O seu grande interesse pela natureza e dignidade humanas, a sua própria experiência de um trabalho físico extenuante durante a ocupação nazi da Polónia e o seu amor pela cultura e pela história levaram-no a ter uma aguda consciência da centralidade do trabalho como parte integrante da vida humana. Desde a sua encíclica inicial sobre a dimensão antropológica do trabalho até aos escritos posteriores sobre o Evangelho e a espiritualidade do trabalho, este aspeto da vida humana foi um tema constante para João Paulo II.

Ao longo destes cem anos, o mundo do trabalho humano mudou profundamente. Por exemplo, atualmente enfrentamos uma ‘segunda globalização’, na qual não apenas bens, serviços e comunicações são globais, mas também o mercado de trabalho. É a isso que se refere a ‘era da globalização’ no título do congresso: nos elementos que alteram a maneira como a economia funciona encontram-se movimentos migratórios maciços, entre os quais há uma percentagem muito significativa de migração forçada que frequentemente não é bem recebida por aqueles que vivem em áreas mais ricas e em países mais pacíficos.

Neste congresso confluem duas séries de encontros: a 11º International Conference on Catholic Social Thought and Business Education e o 7º Colloquium on Christian Humanism in Business and Society. Em 2018, já se tinha dado a mesma conjugação, nessa altura na University of St. Thomas, em Minneapolis. O foco de pesquisa que reúne académicos, empresários e gestores é o Pensamento Social Católico, sem excluir outras crenças ou pontos de vista não religiosos, desde que participem da tradição humanista.

Além das modalidades mais estruturadas, a Call for Papers propõe as Dialogue sessions: ao longo desses dias, os participantes têm a oportunidade de partilhar as suas pesquisas e dialogar. Nessas ocasiões, o modo de fazer as apresentações fica aberto à criatividade e nas interações que aí acontecem o potencial criativo também é especialmente forte.

No congresso de 2018 apresentaram-se 94 trabalhos. Uma vez que em 2020 o congresso se realiza em Lisboa, esperamos que tanto a investigação académica como a experiência empresarial portuguesa tenham uma ampla representação.

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