No seguimento do Sínodo 2018 – “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, o Papa divulgou, a 2 de Abril último, a Exortação Apostólica “Cristo Vive”, particularmente dedicada aos que “podem conferir à Igreja a beleza da juventude, quando estimulam a capacidade ‘de se alegrar com o que começa, de se dar sem nada exigir, de se renovar e de partir para novas conquistas’”. No tom literário que o caracteriza, Francisco enumera os temores, as esperanças e as realidades em que vivem as “diferentes juventudes”, exortando-as a não sobreviver com a alma paralisada e a fazerem-se ouvir. “Abri as portas da gaiola e saí a voar! Por favor, não vos aposenteis antes do tempo”, pede com fervor
POR HELENA OLIVEIRA

Reza a história que, enquanto um jovem jesuíta, Jorge Bergoglio ensinava literatura a um conjunto de jovens numa escola privada na Argentina, os quais e nas suas palavras “não mostravam o mínimo desejo de estudar”. Confrontado com uma sala de aula caótica, o jovem Bergoglio, na altura com 28 anos, recusou adoptar o caminho do controlo ditatorial e tentou uma abordagem alternativa: lançar-lhes desafios. No seguimento do seu interesse por vários escritores, até conseguiu que um dia o famoso escritor argentino Jorge Luis Borges fosse um dos convidados das suas aulas. E reza a mesma história que o actual Papa gostava especialmente que os jovens demonstrassem espírito crítico, contra-argumentassem e não se deixassem “enganar” pelas primeiras impressões.

Várias décadas mais tarde e na recém-publicada Exortação Apostólica “Cristo Vive”, o agora Papa Francisco parece desejar continuar a fazer o mesmo caminho com os jovens – a quem é particularmente dedicado o documento – que outrora utilizou com os seus alunos.

Foram várias as vezes ao longo do seu pontificado de seis anos que Francisco sublinhou a importância de se estabelecer um diálogo entre os jovens e os mais velhos. E depois do Sínodo 2018 – “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, no qual participaram cerca de 300 jovens “directamente” e milhares via Facebook, a presente exortação apresenta uma espécie de síntese do trabalho feito ao longo do mesmo, contando com muitas das ideias partilhadas pelos que nele participaram e, como já nos tem habituado, escrito muitas vezes num estilo literário e até mesmo poético.

O documento, extenso, contém nove capítulos e 299 parágrafos e apesar de dedicado em particular aos mais novos, também o é “a todo o povo de Deus”. No mesmo, Francisco começa por explanar sobre “o que diz a palavra de Deus” no Antigo Testamento sobre os jovens, abordando de seguida a “juventude” de Jesus” e, com base em dados evangélicos, recordou que na sua fase juvenil, “ Jesus foi-Se ‘formando’, foi-Se preparando para realizar o projecto que o Pai tinha” e que “a sua adolescência e juventude orientaram-No para esta missão suprema”. Os demais capítulos da exortação são dedicados a responder à pergunta “Como são os jovens hoje?”, seguindo-se uma promessa de “um grande anúncio”, explanando sobre “os percursos da juventude” e recordando-lhes a importância “das suas raízes”. Um dos três restantes capítulos é exclusivamente dedicado à pastoral juvenil, ao que se segue o tema da “vocação” e do “discernimento”.

Sendo impossível sumarizar todos os capítulos, escolhemos aqueles que mais directamente dizem respeito aos jovens e à sociedade complexa em que vivemos, aproveitando a forma sui generis e muito “sua” que Francisco tem para traduzir a nossa realidade. Qualquer tentativa para ilustrar a riqueza desta exortação, ficará sempre muito aquém das palavras do Sumo Pontífice.

“Ser jovem, mais do que uma idade, é um estado do coração”

Afirmando que “a Igreja de Cristo pode sempre cair na tentação de perder o entusiasmo, porque deixa de escutar o apelo do Senhor ao risco da fé”, o Papa acredita que são os jovens que a podem mudar e ajudar a “ não cair na corrupção, não parar, não se orgulhar, não se transformar numa seita, ser mais pobre e testemunhal, estar perto dos últimos e descartados, lutar pela justiça, deixar-se interpelar com humildade”, acrescentando ainda que “ os jovens podem conferir à Igreja a beleza da juventude”. (37)

No seu tom sempre honesto e de quem não tem medo de escrever verdades que podem ser inconvenientes para muitos membros da Igreja, Francisco “assume” que, para muitos jovens, a religião e a Igreja não passam de “palavras vazias”, sendo contudo mais “sensíveis à figura de Jesus”. E é por isso que escreve que é necessário que “a Igreja não esteja demasiado debruçada sobre si mesma, mas procure sobretudo reflectir Jesus Cristo”. Para o Papa, “isto implica reconhecer humildemente que algumas coisas concretas devem mudar e, para isso, precisa de recolher também a visão e mesmo as críticas dos jovens”. (39)

E chega a ser duro nas palavras que profere quando recorda que o Sínodo já citado reconheceu que um número significativo de jovens, “nada pede à Igreja, porque não a consideram significativa para a sua existência”, sendo que alguns até pedem, expressamente “para serem deixados em paz, uma vez que sentem a sua presença como importuna e até mesmo irritante”. Mas acrescenta que este pedido não nasce de “um desprezo acrítico e impulsivo, mas mergulha as raízes em razões sérias e respeitáveis”, enunciando de seguida “os escândalos sexuais e económicos; a falta de preparação dos ministros ordenados, que não sabem reconhecer de maneira adequada a sensibilidade dos jovens; pouco cuidado na preparação da homilia e na apresentação da Palavra de Deus; o papel passivo atribuído aos jovens no seio da comunidade cristã; a dificuldade da Igreja dar razão das suas posições doutrinais e éticas perante a sociedade actual” (40).

Complementarmente, o Sumo Pontífice considera que os jovens são – e devem ser – mais reivindicativos no que respeita à Igreja dos nossos dias, reclamando que a mesma deve escutar, não passando o tempo a condenar o mundo: “[os jovens] Não querem ver uma Igreja calada e tímida, mas tão-pouco desejam que esteja sempre em guerra por dois ou três assuntos que a obcecam. Para ser credível aos olhos dos jovens, precisa às vezes de recuperar a humildade e simplesmente ouvir, reconhecer, no que os outros dizem, alguma luz que a pode ajudar a descobrir melhor o Evangelho”,escreve ainda, acrescentando também que não pode ser uma Igreja que esteja sempre na defensiva, que não escute e que não permite ser questionada, pois assim “perde a juventude e transforma-se num museu”, não podendo desta forma “receber os sonhos dos jovens”. (41)

Igreja não deve fornecer “respostas prefabricadas e receitas prontas, sem deixar assomar as perguntas juvenis na sua novidade e a captar a sua interpelação”

Afirmando que não nos devemos limitar a dizer que os jovens são o futuro do mundo, mas antes que são o seu presente e que o devem enriquecer com o seu contributo – e fazendo lembrar uma vez mais o seu estilo de interpelar os seus alunos quando era um jovem professor -, Francisco declara que quando “a Igreja abandona esquemas rígidos e se abre à escuta pronta e atenta dos jovens, esta empatia enriquece-a, porque ‘permite que os jovens dêem a sua colaboração à comunidade, ajudando-a a individuar novas sensibilidades e colocar-se perguntas inéditas’”.

Mais ainda, considera que os adultos estão sempre prontos a apontar os defeitos da juventude actual – salvaguardando a ideia de que existem “muitas juventudes”, não constituindo um “todo homogéneo”, mas compondo-se de “grupos que vivem situações peculiares” – e que parecem ávidos em encontrar aspectos negativos e perigos na mesma. Numa tentativa de definir estas várias juventudes, Francisco considera as questões demográficas, os países onde o cristianismo tem uma presença minoritária e onde os jovens são perseguidos, não esquecendo, e como seria de esperar, de diferenciar os que têm acesso às oportunidades oferecidas pela globalização e aqueles que vivem socialmente marginalizados e “suportando os efeitos de formas de exclusão e descarte”. (66) (69). Recordados são ainda os que vivem em contextos de guerra e que sofrem violências variadas, os que por falta de alternativas entram no mundo do crime e dele saem destroçados, os que são “mentalizados, instrumentalizados e que servem de carne para canhão”, como por exemplo as crianças-soldado ou os que são assediados para gangues ou para o terrorismo, (…) tornando-se assim presa fácil de propostas desumanizadoras e dos planos destrutivos elaborados por grupos políticos ou poderes económicos” (73). Mais numerosos que estes, escreve o Papa, “são os jovens que padecem de formas de marginalização e exclusão social, por razões religiosas, étnicas ou económicas” (74), não deixando também de particularizar as mulheres, ainda mais vulneráveis a todas estas situações.

Sobre um tema de que habitualmente fala – a cultura do descarte – Francisco sublinha igualmente a “insatisfação crónica” de que padecem muitos jovens, muito culpa de uma sociedade que sobrevaloriza a imagem, a qual é igualmente perseguida pelos adultos, adultos estes que, em muitos casos, falham no amor e cuidado para com os seus próprios jovens.

As relações familiares e os conflitos geracionais fazem também parte do documento em causa. Referindo que alguns jovens “sentem as tradições familiares como opressivas e abandonam-nas sob a pressão duma cultura globalizada que às vezes os deixa sem pontos de referência”, em muitos locais não chega a existir um conflito geracional, “mas um alheamento recíproco” (80), o que os prejudica sobremaneira, mesmo que estes não se dêem conta de tal.

Assim, Francisco reconhece nos jovens diferentes perspectivas, as quais considera como “pontos de partida, energias interiores que aguardam, disponíveis, uma palavra de estímulo, luz e encorajamento”.

Nalguns jovens, reconhecemos um desejo de Deus, embora não possua todos os delineamentos do Deus revelado. Noutros, podemos vislumbrar um sonho de fraternidade, o que já não é pouco. Em muitos, existe um desejo real de desenvolver as capacidades de que são dotados para oferecerem algo ao mundo. (…)Em muitos deles, encontramos o desejo profundo duma vida diferente”. (84)

“O mundo digital é um contexto de participação sociopolítica e de cidadania activa (…), mas é também um território de solidão, manipulação, exploração e violência”

Também não é a primeira vez que Francisco é crítico face ao mundo digital, sobretudo no que respeita ao isolamento e perda progressiva de contacto com a realidade concreta que o mesmo parece facilitar. Mas reconhece, antes de mais, que o espaço digital oferece indubitavelmente “uma oportunidade extraordinária de diálogo, encontro e intercâmbio entre as pessoas, bem como o acesso à informação e ao saber”. Sem se esquecer de mencionar também a diferença de acesso a este meio – a divisão digital é uma realidade sublinhada – Francisco acrescenta ainda, e como benefício desta “praça” onde os jovens se encontram, que “o mundo digital é um contexto de participação sociopolítica e de cidadania activa, podendo facilitar a circulação duma informação independente capaz de tutelar eficazmente as pessoas mais vulneráveis, revelando as violações dos seus direitos. Em muitos países, a web e as redes sociais já constituem um lugar indispensável para se alcançar e envolver os jovens nas próprias iniciativas e actividades pastorais”. (80)

Todavia, reconhece as suas limitações e perigos e alerta para que não se confunda “comunicação com o simples contacto virtual”. Para o Papa, “o ambiente digital é também um território de solidão, manipulação, exploração e violência, até ao caso extremo da dark web, bem como um caminho fácil para a difusão de “novas formas de violência”, de que é exemplo o cyberbullying. E, na sua apreciação informada e certeira sobre a web, não nos devemos esquecer que “há interesses económicos gigantescos que operam no mundo digital, capazes de realizar formas de controlo que são tão subtis quanto invasivas, criando mecanismos de manipulação das consciências e do processo democrático” e que “o funcionamento de muitas plataformas acaba frequentemente por favorecer o encontro entre pessoas com as mesmas ideias, dificultando o confronto entre as diferenças (89). Demonstrando igualmente preocupação sobre as “fake news”, Francisco considera que “a proliferação das notícias falsas é expressão duma cultura que perdeu o sentido da verdade e sujeita os factos a interesses particulares”.

A inquietação que revela face aos espaços digitais e tendo como ponto de partida um documento preparado por 300 jovens de todo o mundo antes do Sínodo e que partilha a ideia de que “as relações online podem tornar-se desumanas” na medida em que “os espaços digitais não nos deixam ver a vulnerabilidade do outro e dificultam a reflexão pessoal”, o Papa considera igualmente que “a imersão no mundo virtual favoreceu uma espécie de ‘migração digital’, isto é, um distanciamento da família, dos valores culturais e religiosos, que leva muitas pessoas para um mundo de solidão e auto-invenção chegando ao ponto de sentir a falta de raízes, embora fisicamente permaneçam no mesmo lugar”. Na busca normal que os jovens sentem para afirmar a sua própria personalidade, enfrentam agora um novo desafio nesta interacção entre o mundo real e o virtual, no qual “se entra sozinho como num continente desconhecido”, nunca deixando de acentuar a necessidade extrema de se passar do “mero contacto virtual a uma comunicação boa e saudável”. (90)

“Os jovens que migram experimentam a separação do seu contexto de origem e, muitas vezes, também um desenraizamento cultural e religioso”

Entre as várias cruciais chamadas de atenção que o Papa tem feito ao mundo, emitindo a sua opinião, sempre assertiva, sobre os variados desafios que a humanidade enfrenta, é impossível esquecer o papel fundamental que teve, desde o início do seu Pontificado, relativamente às migrações. Ninguém decerto estará alheio à lembrança da sua primeira visita, enquanto chefe do Vaticano, a Lampedusa, a pequena ilha no sul de Itália que se tornou, ao longo da última década, num dos principais pontos de entrada de dezenas de milhar de migrantes e na qual criticou veementemente o mundo “rico”, acusando-o de uma “globalização da indiferença”, alertando, e num discurso que teve lugar no Parlamento Europeu, para o facto de não ser possível continuar-se a permitir que o Mediterrâneo se transforme num “imenso cemitério”. E se o tema já não preenche telejornais, a verdade é que Francisco não o deixa esmorecer.

Em “Cristo Vive”, começa por questionar “Como não lembrar os inúmeros jovens directamente envolvidos nas migrações?”, sublinhando a ideia de que “os fenómenos migratórios não representam uma emergência transitória, mas são estruturais” e que os mesmos nos lembram “a condição primordial da fé, ou seja, a de sermos ‘estrangeiros e peregrinos sobre a terra” (Heb 11, 13). O Papa sublinha ainda que, para a Igreja, a sua principal preocupação recai naqueles que fogem de contextos violentos, da perseguição política ou religiosa, dos desastres naturais – sublinhando as alterações climáticas – e da pobreza extrema. O passou assinalou ainda “a particular vulnerabilidade dos migrantes menores não acompanhados, e a situação daqueles que são forçados a passar muitos anos nos campos de refugiados ou que permanecem bloqueados muito tempo nos países de trânsito, sem poderem continuar os seus estudos nem expressar os seus talentos”. (92)

Citando mais uma vez o Sínodo, o Papa afirma que o mesmo permitiu o encontro de muitas perspectivas relativamente ao tema dos migrantes, sobretudo entre países de partida e países de chegada. Além disso, ressoou o grito de alarme das Igrejas cujos membros são forçados a fugir da guerra e da perseguição, vendo, nestas migrações forçadas, uma ameaça para a própria existência delas”, apelando aindaaos jovens que não caiam nas redes de quem os quer contrapor a outros jovens que chegam aos seus países, fazendo-os ver como sujeitos perigosos e como se não tivessem a mesma dignidade inalienável de todo o ser humano”. (94)

“Jovens, não renuncieis ao melhor da vossa juventude, não fiqueis a observar a vida da sacada”

É, talvez, o mais bonito e mais “tocante” apelo que Francisco faz aos jovens, exortando-os a agir e a combater a anestesia, mensagem que nos deveria interpelar a todos: “Não confundais a felicidade com um sofá nem passeis toda a vossa vida diante dum visor. E tão-pouco vos reduzais ao triste espectáculo dum veículo abandonado. Não sejais carros estacionados, mas deixai brotar os sonhos e tomai decisões. Ainda que vos enganeis, arriscai. Não sobrevivais com a alma anestesiada, nem olheis o mundo como se fôsseis turistas. Fazei-vos ouvir! Lançai fora os medos que vos paralisam, para não vos tornardes jovens mumificados. Vivei! Entregai-vos ao melhor da vida! Abri as portas da gaiola e saí a voar! Por favor, não vos aposenteis antes do tempo”.

Preocupado com a tentação que muitos destes têm em fechar-se em si mesmos, deitando por terra a energia, os sonhos e o entusiasmo próprio da juventude, Francisco pede aos jovens que “não fiquem velhos antes de tempo”, afirmando ainda que “cada idade tem a sua beleza, e à juventude não pode faltar a utopia comunitária, a capacidade de sonhar juntos, os grandes horizontes que contemplamos juntos”. (166)

O Papa faz também uma proposta aos jovens, pedindo-lhes que construam o que define como “amizade social”: “buscar o bem comum chama-se amizade social. A inimizade social destrói. E uma família destrói-se pela inimizade. Um país destrói-se pela inimizade. O mundo destrói-se pela inimizade. E a inimizade maior é a guerra. E hoje vemos que o mundo se está a destruir pela guerra”. (168) E “quando se consegue encontrar pontos coincidentes no meio de tantas divergências e, com esforço artesanal e por vezes fadigoso, lançar pontes, construir uma paz que seja boa para todos, isso é o milagre da cultura do encontro que os jovens podem ousar viver com paixão”, acrescenta ainda.

Francisco volta a citar uma conclusão que teve origem no Sínodo e que, apesar das diferenças face a gerações passadas, aufere aos jovens um “compromisso”, característico dos tempos em que vivemos. Ou seja, apesar de existirem muitos “indiferentes”,  há muitos outros disponíveis para se comprometerem em iniciativas de voluntariado, cidadania activa e solidariedade social, o que é preciso acompanhar e encorajar para fazer surgir os talentos, as competências e a criatividade dos jovens e estimular a assunção de responsabilidades por parte deles”. (170)

E, de regresso à preciosa relação com os mais idosos, o papa assegura também que “se caminharmos juntos, jovens e idosos, poderemos estar bem enraizados no presente e, daqui, visitar o passado e o futuro: visitar o passado, para aprender da história e curar as feridas que às vezes nos condicionam; visitar o futuro, para alimentar o entusiasmo, fazer germinar os sonhos, suscitar profecias, fazer florescer as esperanças. Assim unidos, poderemos aprender uns com os outros, acalentar os corações, inspirar as nossas mentes com a luz do Evangelho e dar nova força às nossas mãos”. (199)

Sobre o trabalho, fala das suas virtudes e do sentido que dá ao desenvolvimento humano e à realização pessoal, afirmando também que o Sínodo “salientou que o mundo do trabalho é uma área onde os jovens ‘experimentam formas de exclusão e marginalização’”. Focando em particular o desemprego juvenil, Francisco lamenta “para além de os empobrecer, a falta de trabalho rescinde nos jovens a capacidade de sonhar e esperar, e priva-os da possibilidade de contribuir para o desenvolvimento da sociedade”. E sempre atento aos grandes desafios da era actual, e desafiando os políticos a torná-los prioritários, fala dos inúmeros desafios da automação: “(…) a velocidade dos avanços tecnológicos, aliada à obsessão de reduzir os custos laborais, pode levar rapidamente à substituição de inúmeros postos de trabalho por máquinas. Trata-se duma questão fundamental da sociedade, porque o trabalho, para um jovem, não é simplesmente uma actividade para ganhar dinheiro”. (271)

Como o texto já vai longo, e porque ficará muito por dizer, o sumário da exortação “Cristo Vive” que aqui tentámos oferecer, termina como termina a própria exortação:

“Queridos jovens, ficarei feliz vendo-vos correr mais rápido do que os lentos e medrosos. Correi «atraídos por aquele Rosto tão amado, que adoramos na sagrada Eucaristia e reconhecemos na carne do irmão que sofre. O Espírito Santo vos impulsione nesta corrida para a frente. A Igreja precisa do vosso ímpeto, das vossas intuições, da vossa fé. Nós temos necessidade disto! E quando chegardes aonde nós ainda não chegamos, tende a paciência de esperar por nós”. (299)

Nota: Pode ler “Cristo Vive” na íntegra aqui