Com o contributo da Accenture Portugal, a iniciativa “Skills to Succeed” visa dotar 700 mil pessoas, em todo o mundo, com as competências necessárias para conseguirem um emprego ou criarem um negócio, até 2015. Em entrevista, a manager da Accenture responsável pela área de Responsabilidade Corporativa no nosso País, sublinha o investimento, a vários níveis, que a consultora sempre fez no combate ao desemprego jovem
POR GABRIELA COSTA

A iniciativa “Skills to Succeed” está na base da estratégia de Responsabilidade Corporativa da Accenture que, nos últimos anos, tem estabelecido parcerias estratégicas com o objectivo de educar pessoas em todo o mundo, preparando-as para entrar no mercado de trabalho.

O objectivo definido em 2010 – dotar 250 mil pessoas, a nível global, com as competências necessárias para conseguirem um emprego ou criarem um negócio, até 2015 – foi rapidamente ultrapassado, e a consultora definiu um novo compromisso, alargando a meta para 700 mil pessoas, a nível mundial, com estas competências profissionais e capacidades empreendedoras, até ao final do próximo ano.

O projecto, que “combina a experiência e o compromisso da Accenture no desenvolvimento do talento”, integra três dimensões definidas como estratégicas para que se alcancem os objectivos propostos: o envolvimento dos colaboradores, que partilham os seus conhecimentos em acções pró Bono e participam em acções de formação, também em regime de voluntariado; a disponibilização de competências na área de consultoria a ONGs e universidades; e o desenvolvimento de parcerias estratégicas com organizações que trabalham em prol dos mesmos objectivos de qualificação.

Em entrevista ao VER, Patrícia Faro Antunes, manager da Accenture responsável pela área de Responsabilidade Corporativa em Portugal, adianta que a consultora está já a definir os contornos das metas da iniciativa, a nível global, até 2020. E sublinha que o sucesso de “Skills to Succeed” se reflecte na experiência que o projecto proporciona aos colaboradores da consultora, os quais “testam as suas competências expositivas, valorizam o seu currículo, participam em formações intensivas e fortalecem as suas ligações” profissionais.

A iniciativa “Skills to Succeed” materializa a aposta da Accenture no desenvolvimento do talento. De que modo são integradas as três dimensões estratégicas do projecto para a criação desse talento?

A estratégia de Responsabilidade Corporativa da Accenture assenta na capacitação das organizações e dos seus beneficiários para a empregabilidade e para o empreendedorismo. Esta estratégia é operacionalizada em três vectores, nos quais actuamos de forma integrada: realizando projectos em regime de pró Bono com ONGs, alocando voluntários a iniciativas nessas ONGs e, finalmente, doando fundos que promovam a sua sustentabilidade.

O factor essencial para a eficácia deste modelo integrado foi a mobilização dos colaboradores da Accenture para projectos em regime de pró Bono, em tudo similares a qualquer outro projecto, nomeadamente com a alocação de recursos com competências concretas, e onde as avaliações de desempenho têm também os mesmos níveis de exigência. Desta forma, garantimos que os projectos têm sempre os melhores recursos, e que a participação nos mesmos não funciona como uma pausa na carreira do colaborador, mas sim como um envolvimento na criação de valor para a ONG e para a sociedade.

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Relativamente a iniciativas de voluntariado, o alinhamento das acções identificadas com o perfil dos nossos colaboradores teve um forte impacto. Trata-se de iniciativas que lhes permitem testar as suas competências expositivas, valorizar o seu currículo com experiências diferentes, participar em acções para as quais lhes é dada formação intensiva e específica por entidades especializadas, fortalecer as suas ligações com colegas em contextos que não o do quotidiano, e colocar as suas capacidades ao serviço da construção de um mundo melhor.

A pouco mais de um ano do final da meta que define como objectivo capacitar 700 mil pessoas, até 2015, com as competências necessárias para entrarem no mercado de trabalho, já é possível avaliar o sucesso do projecto face ao seu impacto na economia e na sociedade?

A revisão das metas propostas ao longo destes últimos cinco anos é reveladora do enorme sucesso desta iniciativa global da Accenture, e da relevância atribuída à mesma pelos nossos parceiros. A Accenture está neste momento a definir os contornos das metas a nível global para 2020, e tudo aponta no sentido da continuidade da iniciativa “Skills to Succeed”.

[pull_quote_left]“A estratégia de Responsabilidade Corporativa da Accenture assenta na capacitação das organizações para a empregabilidade e para o empreendedorismo”[/pull_quote_left]

Uma das provas de que estamos fortemente comprometidos com esta área foi a publicação, no ano passado, do primeiro Relatório de Responsabilidade Corporativa da Accenture Portugal, um documento no qual procuramos dar a conhecer a todos os nossos stakeholders os resultados, desafios e compromissos da Accenture em termos de sustentabilidade. Trata-se de uma publicação pioneira em Portugal, já que somos a primeira organização no sector onde desempenhamos actividade a editar um relatório deste género.

Em Portugal que resultados já alcançaram, face às metas propostas e ao empenho das equipas da consultora, que dedicam parte do seu tempo a partilhar os seus conhecimentos em projectos voluntários?

Em termos de metas, o escritório da Accenture em Portugal procura contribuir para o objectivo definido a nível global, agora alargado, de capacitar 700 mil pessoas até 2015.

Já quanto ao empenho das nossas equipas, mais do que a forma como a Accenture o avalia, o que importa é perceber como o avaliam os que, no fim de contas, são o cliente directo destes esforços – as ONGs com quem trabalhamos. E essa avaliação tem sido extremamente positiva por parte de todos os parceiros com quem temos colaborado, como por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Fundação Montepio, o Instituto de Empreendedorismo Social, a Women Win Win, e a Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger, entre outros.

Por outro lado, é também muito compensador ver que em Portugal os nossos colaboradores já contribuíram com mais de 5 mil horas do seu tempo para estes esforços.

Que outras iniciativas de cidadania corporativa e voluntariado destaca, entre as que a Accenture tem desenvolvido em Portugal?

Em Portugal destacam-se diversas iniciativas junto dos jovens, nomeadamente a nossa já longa parceria com a Junior Achiement Portugal (JAP), no âmbito da qual promovemos a aquisição de competências de empreendedorismo, através do coaching, a jovens empreendedores.

[pull_quote_left]“Garantimos que os projectos pró Bono têm sempre os melhores recursos, e que a participação nos mesmos cria valor para a ONG e para a sociedade”[/pull_quote_left]

Outro projecto que gostaria de referir é a nossa parceria, também com a JAP e com a Nova School of Business and Economics (Nova SBE), que pretende promover a aproximação entre as empresas e as universidades. A Accenture e a JAP desenvolveram os conteúdos programáticos da cadeira Managing Impactful Projects (MIP), com o objectivo de capacitar os alunos da licenciatura de Gestão com ferramentas de gestão de projectos e valências empreendedoras fundamentais para o seu sucesso profissional.

As aulas teóricas desta cadeira são leccionadas por consultores seniores da Accenture e as ferramentas disponibilizadas são posteriormente aplicadas em projectos realizados pelos alunos, com o nosso apoio e o de professores da Nova SBE junto de associações sem fins lucrativos. Trata-se de um projecto com um duplo impacto na sociedade civil, dado que capacita os jovens e as organizações sociais – e, consequentemente, os beneficiários destas.

Em que áreas chave têm centrado a vossa actuação, face ao actual contexto socioeconómico e aos preocupantes níveis de desemprego, especialmente entre a geração jovem?

O tema do desemprego jovem foi algo que sempre mereceu a nossa atenção, pelo que esta tem sido uma área na qual temos concentrado parte significativa do nosso investimento. Esta aposta tem produzido os seus frutos e a Accenture, além de promotora da capacitação desta geração mais jovem, tem também actuado como um empregador relevante ao longo dos anos.

Gabriela Costa

Jornalista