Na área da diversidade e inclusão ainda muito há por fazer, não só no nosso país, mas no mundo. Promover sociedades plurais e inclusivas depende de todas as pessoas, mas não acontece de forma espontânea. É uma tarefa a longo prazo. A diferença provoca-nos, muitas vezes, inseguranças, medos e estranheza, mas podemos (e teremos) que aprender a valorizá-la e promovê-la, para que seja capitalizada para o bem comum
POR CARLA CALADO*

O papel das organizações empregadoras é especialmente importante para a diversidade, uma vez que as pessoas em idade laboral passam grande parte do seu tempo no trabalho e que a inclusão económica é essencial para a qualidade de vida de todas as famílias, possibilitando o acesso a bens e serviços que podem ser decisivos ao longo das várias fases dos nossos ciclos de vida, incluindo a saúde, a segurança social e financeira, as condições de habitação dignas, a educação de qualidade e a cultura. A inclusão em contexto de trabalho tem o poder de diminuir as desigualdades sociais e económicas, de se focar no valor intrínseco e potencial de cada pessoa e garantir o acesso equitativo a oportunidades de trabalho, progressão e desenvolvimento pleno de cada um e cada uma de nós.

É com alegria que assistimos a uma adesão entusiasta de cada vez mais entidades de todos os sectores e dimensões à Carta Portuguesa para a Diversidade. Esta mobilização voluntária de já 193 organizações é um sinal extremamente positivo que nos deixa muito optimistas face ao futuro da nossa sociedade, feita de múltiplas identidades, escolhas e sentires visíveis e invisíveis. Temos assistido a um espírito colaborativo e de abertura e disponibilidade da grande maioria para partilhar o que fazem e os desafios que encontram. O clima de acolhimento criado tem permitido a partilha das vitórias e das derrotas, dos avanços e dos retrocessos desta caminhada rumo a uma sociedade cada vez mais plural.

© ACM

Este clima foi visível nas candidaturas à primeira edição do Selo da Diversidade, abertas desde Maio a Julho 2017, onde foram recebidas 29 candidaturas por parte de 16 organizações signatárias da Carta. Destas, seis foram reconhecidas com o Selo da Diversidade e seis com menções honrosas. Os prémios foram anunciados na passada sexta-feira, dia 10 de Novembro, numa Gala acolhida pela Universidade Atlântica, em Oeiras, e incluída no âmbito do CLDS+ Porto Comum (Fundação Aga Khan Portugal), contando com a presença de cerca de cem pessoas e das secretárias de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, e da Inclusão das pessoas com deficiência, Ana Sofia Antunes. As entidades cujas práticas foram reconhecidas são:

Categoria 1: Compromisso da gestão de topo e dos outros níveis hierárquicos

– Selo:

* Ericsson | Título do projecto: “Formação em Enviesamento Inconsciente”

Categoria 2: Cultura organizacional

– Menção Honrosa:

* BNP Paribas Portugal | Título do projecto: “Welcoming disability – A diverse approach to talent sourcing”
* EDP | Título do projecto: ” #Tagga o Teu Futuro”
* Essilor PT |Título do projecto: “Diversidade & Inclusão – Um Valor Essilor”

Categoria 3: Recrutamento, selecção e práticas de gestão de pessoas

– Menção Honrosa:

*EDP |Título do projecto: “Inspiring Camp”

Categoria 4: Desenvolvimento profissional e progressão na carreira

       – Selo:

*EDP |Título do projecto: “Formação em Enviesamento Inconsciente – Potenciar a Diversidade e Inclusão”

Categoria 5: Comunicação da Carta e dos seus princípios

– Selo:

*AFID Diferença |Título do projecto: ” Diversid’ARTE”

– Menção Honrosa:

*Media em Movimento | Título do projecto: “Divulgação da Diversidade”

Categoria 6: Condições de trabalho e acessibilidades

– Selo:

* Câmara Municipal de Lisboa |Título do projecto: “Medidas de conciliação”

– Menção Honrosa:

*EDP |Título do projecto: “Parceria com Places4All”
*L’Oréal |Título do projecto: “Share&Care”
*Ericsson |Título do projecto: “Condições de Trabalho para Todos”

Este Selo não pretende certificar organizações, mas sim valorizar caminhos por elas percorridos e que comprovam que existe sempre algo que podemos fazer em qualquer organização, mesmo com poucos recursos. Assim, foram escolhidos exemplos que, pela sua replicabilidade e acessibilidade, podem ser inspiradores para outras organizações e contextos, com a ressalva necessária de que cada organização, tal como cada pessoa, é única.

O Selo da Diversidade certifica projectos que, pela sua replicabilidade e acessibilidade, podem ser inspiradores para outras organizações e contextos

Foram escolhidas práticas que, com humildade e espírito de missão, fazem parte de estratégias mais amplas e assumidas de mudança, alicerçadas em esforços constantes de auscultação e (re)conhecimento das necessidades reais das pessoas. Foram valorizadas as que contêm esforços de medição de impactos na vida das pessoas, da organização e da sociedade e apresentam argumentação de como a medida efectivamente promoveu a diversidade e inclusão. Foram alvo de apreciação positiva as que trazem exemplos de parcerias entre sectores, assumindo que esta é uma responsabilidade de todos e que devemos enfrentar em conjunto.

Fica o mote para que, em próximas edições, sejam submetidas mais candidaturas com iniciativas no âmbito do recrutamento e selecção (visando a efectiva colocação de pessoas em postos de trabalho), e/ou que assumam trabalhar outros assuntos, alguns eventualmente de cariz mais delicado, como o trabalho com as diferentes gerações e idades, a orientação sexual e identidade de género, a religião ou as assimetrias socioeconómicas (e o seu impacto no que habitualmente apelidamos de “mérito”). Esperamos pelos testemunhos desses caminhos. Queremos ser parte dessa caminhada.

* Pela Comissão Executiva da Carta Portuguesa para a Diversidade

A Comissão Executiva é composta por: Fundação Aga Khan Portugal, Alto Comissariado para as Migrações (ACM), Instituto Nacional para a Reabilitação (INR), Comissão para a Cidadania e Igualdade (CIG), Comissão para a igualdade no trabalho e no emprego (CITE), ISCTE-IUL e GRACE