De acordo com o mais recente estudo conduzido pelo Pew Research Center, a quota de americanos que elege oTwitter e o Facebook enquanto fonte de notícias continua a aumentar. Comparativamente à última análise levada a cabo em 2013 sobre o mesmo tema, uma já clara maioria de utilizadores de ambas as plataformas sociais – curiosamente com a mesma percentagem – 63% – utiliza-as para encontrar notícias ou eventos exteriores aos habituais domínios da família e dos amigos, com o objectivo de satisfazer necessidades “noticiosas” diferenciadas
POR
MÁRIA POMBO

Longe vão os tempos em que as redes sociais serviam apenas para falar com os amigos e partilhar fotos de gatinhos. Hoje em dia, são cada vez mais os utilizadores que fazem do Facebook ou do Twitter a sua principal fonte de notícias. Graças a uma boa agregação de conteúdos, ler e partilhar aquilo que se produz nos mais diversos meios de comunicação social é cada vez mais imediato.

O estudo “The Evolving Role of News on Twitter and Facebook” (A Evolução do Papel das Notícias no Twitter e no Facebook, em tradução livre), realizado recentemente pelo Pew Research Center, especializado na análise de grandes tendências globais, revela que é significativamente crescente a percentagem de pessoas que utiliza estas duas redes sociais com o fim de se manterem informadas em relação ao que se passa no mundo.

O relatório em causa contou com um universo de 2035 respondentes com mais de 18 anos, de ambos os sexos e residentes nos Estados Unidos. Para além de diversos indicadores analisados (como a idade, o género, o tipo de temas e o formato das notícias), procedeu-se ainda a uma comparação face aos resultados de um estudo similar, realizado em 2013 também pelo Pew, o qual abordou o papel das notícias no Facebook, de forma a traçar o perfil (ou os perfis) dos “consumidores de notícias” da que continua a ser, em número de utilizadores, a rainha das redes sociais [dados do inicio deste ano apontam para 1, 3 mil milhões de utilizadores activos mensais da rede social criada por Zuckerberg contra 271 milhões da plataforma de micro-blogging Twitter]

Entre 2013 e 2015, as diferenças são claras: no primeiro ano em causa, apenas 52% dos utilizadores optavam por ver notícias no Twitter, com 47% a usarem o Facebook para esse efeito, tendo essa percentagem subido para os 63% em ambos os casos, no presente ano. Este incremento deve-se a factores que indicam algumas mudanças de comportamento por parte dos utilizadores, que reflectem também o investimento dos próprios meios de comunicação social nestas plataformas. Por seu turno, e ao reconhecerem o potencial deste filão, ambas as redes têm adaptado o seu papel a esta procura crescente, apostando em funcionalidades específicas que permitem aos utilizadores encontrarem precisamente o que procuram: mais notícias de órgãos informativos, maior interactividade e menos conteúdos promocionais.

Adicionalmente, estas plataformas têm tornado mais simples e rápidas as partilhas de conteúdos, quer em termos de formato (vídeos, imagens ou texto), quer em termos de dimensão, primando sempre por notícias mais curtas e de fácil leitura e/ou interacção (muito mais comuns no Twitter, mas cada vez mais “praticadas” também no Facebook).

Mas apesar de ambas as redes terem a mesma percentagem de utilizadores a “beber” os seus conteúdos, existem diferenças significativas no que respeita ao poder de distribuição dos mesmos. Como revela o estudo, a proporção de utilizadores que afirma seguir as breaking news do Twitter é quase duas vezes superior à dos que afirmam fazê-lo no Facebook (59% vs 31%). Esta diferença substancial deve-se, muito provavelmente, ao facto de a grande força do Twitter residir numa “cobertura noticiosa em tempo real”, acompanhada pela possibilidade de se poder comentar eventos de natureza variada à medida que estes vão ocorrendo.

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Inovação, notícias, tempo e dinheiro

Os dados recentemente revelados vão ao encontro do aumento de enfoque e investimento por parte das plataformas no que respeita a este segmento em particular de conteúdos, tanto em termos de tempo como de dinheiro.

Por exemplo, em Maio último, o Facebook lançou um projecto experimental que permite às empresas de media publicarem (ou alojarem) directamente os seus conteúdos na plataforma (os chamados Instant Articles), permitindo que estes carreguem mais rapidamente e oferecendo uma experiência de leitura muito mais interactiva: é possível fazer zoom e explorar fotos de alta resolução, visualizar vídeos que arrancam automaticamente à medida que se faz scroll, e ainda explorar mapas interactivos ou fazer o habitual like ou comentário em partes específicas do artigo. E já no final de Junho, começou também a introduzir um redesenho da sua barra lateral de tendências, a qual permite filtrar, por tópico, e visualizar apenas notícias sobre política, ciência e tecnologia, desporto e entretenimento, e entre as quais se pode ir alternando.

Já o Twitter está a desenvolver o “muito secreto” e denominado Project Lightning, que pressupõe uma forma distinta de o utilizar, permitindo seguir não só os acontecimentos, mas também as pessoas que neles participam (algo que se faz agora através de um hashtag, mas com identidade própria). O Lightning promete uma renovação completa da app móvel do Twitter, permitindo a utilização de imagens “enriquecidas”, fotografias e vídeos que também são carregados “ao momento”, sendo que todas essas experiências poderão ainda ser “embebidas” em outras partes da web, inclusivamente noutras apps. A plataforma está ainda a investir num conjunto significativo de novos “redactores com experiência” para acompanharem e liderarem este projecto.

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Facebook e Twitter: quem vê o quê?

O estudo analisou também as principais semelhanças e divergências existentes entre os utilizadores de cada uma das redes sociais. Criadas com propósitos diferentes, com aplicações e funcionalidades distintas, bem como normas específicas de utilização, o que distingue, na verdade, as preferências dos seus utilizadores?

De 11 tópicos em análise, os utilizadores do Twitter revelam uma maior tendência – face aos seus pares no Facebook – para verem notícias sobre os seguintes quatro: política nacional (72% contra 61%), assuntos internacionais (63% contra 51%), negócios (55% contra 42%) e desporto (70% contra apenas 55%). No entanto, no que respeita aos restantes tópicos cobertos – pessoas e eventos nas comunidades respectivas, meteorologia e trânsito locais, entretenimento, crime, política local, saúde e medicina, e ciência e tecnologia – os comportamentos dos utilizadores são bastante similares.

O estudo conclui ainda que esta preferência pela agregação de notícias nas redes sociais é independente do género, do nível de escolaridade ou da raça [pertinente nos Estados Unidos], sem grandes diferenças a assinalar, a não ser, por exemplo, o facto de a percentagem de mulheres a utilizar o Twitter em 2015 ter tido um incremento considerável – de 13% – face a 2013.

Na medida em que o aumento do número de utilizadores que vê notícias em ambas as plataformas acompanha a mesma tendência de crescimento em todos os grupos demográficos, o dado que mais sobressai também nada tem de surpreendente: é a geração mais nova – até aos 35 anos – que mais frequente e continuamente procura conteúdos noticiosos tanto no Twitter como no Facebook.

Conteúdos de natureza política registam diferenças de envolvimento

23072015_QuemGanhaAguerraDasNoticias3O Pew Research Center realizou ainda uma pesquisa separada, cujos dados não foram ainda totalmente analisados, mas que demonstram uma tendência curiosa no que respeita às interacções dos utilizadores face a conteúdos relacionados com a política e o governo.

Os utilizadores do Facebook, no geral (ou seja, não só os que mais notícias consomem) revelaram-se mais directamente envolvidos com conteúdos políticos através de posts, comentários e likes comparativamente aos seus congéneres no Twitter. Cerca de um terço dos primeiros (32%) são adeptos de posts sobre política e acção governamental face a apenas 25% dos segundos no que respeita a tweets sobre esta temática.

Mas, e por outro lado, os utilizadores do Twitter mostram-se mais aptos a procurar e obter conteúdos políticos directamente de órgãos noticiosos da sua preferência e dos próprios websites dos seus partidos de eleição. O mesmo acontece com a tendência de seguir organizações ou personalidades (por exemplo, jornalistas ou comentadores), atitude muito mais vincada no Twitter, com 46% dos seus utilizadores fazê-lo contra apenas 28% no Facebook.