Alguma vez pensou que o lugar onde nasceu, a altura em que tal aconteceu, a sua genética, a sua saúde e a sua família são todos factores que não escolheu? E por acaso sabia que estas cinco condições, por si só, determinam mais de 85% daquilo que é enquanto pessoa e o quanto irá atingir? Nascemos “iguais”, mas não temos acesso às mesmas oportunidades. E é por isso que, quando favorecidos pela “sorte”, temos obrigação de ajudar a construir um mundo melhor
POR MIGUEL REYNOLDS BRANDÃO

Acredito verdadeiramente no poder do empreendedorismo para a criação de um mundo melhor. Mas este mesmo poder depende da visão, motivação e sensibilidade dos empreendedores.

Miguel Reynolds Brandão é CEO da Corkbrick Europe e autor do livro “The Sustainable Organisation – a paradigm for a fairer society: Think about sustainability in an age of technological progress and rising inequality”

Alguma vez pensou que o lugar onde nasceu, a altura em que tal aconteceu, a sua genética, a sua saúde e a sua família são todos factores que não escolheu? E por acaso sabia que estas cinco condições, por si só, determinam mais de 85% daquilo que é enquanto pessoa e o quanto irá atingir? Imagine que nasceu num país devastado pela guerra, que vive na linha da pobreza, sem cuidados de saúde ou educação – será que teria acesso às mesmas oportunidades que tem hoje na sua vida?

Nascemos iguais, mas não temos igual acesso às oportunidades. Todos temos “passados” distintos, mas todos merecemos ser capazes de jogar pelas mesmas regras neste jogo que é a vida.

Escrevo sobre esta questão porque acredito veementemente que se a sorte nos bafejar com estes cinco factores determinantes de vida, então temos a obrigação de usar essa mesma sorte e o nosso talento para criar um mundo mais justo e equitativo para a esmagadora maioria que não tiveram a mesma “fortuna”. E encaro o empreendedorismo, tal como outro tipo de actividades, como uma espécie de missão, através da qual é possível oferecer melhores oportunidades e qualidade de vida tanto para as gerações presentes, como para as futuras.

Com uma mente curiosa e independente, cedo me tornei um empreendedor. Na verdade, sempre trabalhei nos meus próprios projectos, com todos os prós e os contras que isso envolve. E, há muito, muito tempo, cheguei a ser o mais jovem participante num evento para empreendedores juniores, realizado ainda pela CEE em Bruxelas.

Sempre me senti atraído pela tecnologia, pela inovação e fascinado pelas inúmeras formas que existem passíveis de melhorar as nossas vidas. E acredito pessoalmente que vale muito pouco a pena iniciar um novo empreendimento a não ser que tenha um impacto positivo para todos, sem comprometer o futuro de outras gerações.

Fundar uma empresa apenas para gerar lucro através da venda de produtos ou serviços que não adicionem um verdadeiro valor à sociedade nunca fez parte dos meus interesses. E sempre idealizei um método simples que me ajudasse a prever o real impacto de qualquer investimento que estivesse disposto a fazer. E foi assim que nasceu o índice SORG (Sustainable Organization Index), uma ferramenta simples e transparente que permite a qualquer pessoa estimar o verdadeiro resultado de uma organização em termos de sustentabilidade, ausente de especulação e/ou de manipulação, tema principal do livro que escrevi em parceria com Nadia Morais intitulado “The Sustainable Organisation – a paradigm for a fairer society: Think about sustainability in an age of technological progress and rising inequality.

A inovação do índice SORG reside no facto de nos ajudar a prever, testar, avaliar e a comparar facilmente oportunidades de investimento alternativas, para que nos seja possível focar naquela que terá o maior impacto. E a cereja no topo do bolo é que estas oportunidades que encerram maior impacto são justamente as que geram um maior retorno do investimento. O que enriquece uma estratégia inovadora e sustentável.

A minha nova criação preenche esta categoria na perfeição: estou a falar de um produto útil, de alcance global, de uma inovação que melhorará a vida dos seus utilizadores; é completamente natural, renovável e oferece oportunidades de trabalho tanto para pessoas com competências como para quem não as tem, local e globalmente.

Adicionalmente, e ao mesmo tempo que é eficiente em termos de distribuição e do seu próprio modelo de negócio, é também um empreendimento extremamente atractivo que irá demonstrar que o empreendedorismo sustentável é altamente rentável, útil, divertido e capaz de mudar o mundo para melhor.

A ideia é levar a cabo uma mudança realmente transformadora e duradoura na forma como as empresas são geridas e as decisões de investimento tomadas.

Nascemos iguais, mas não temos igual acesso às oportunidades. Todos temos “passados” distintos, mas todos merecemos ser capazes de jogar pelas mesmas regras neste jogo que é a vida

Foi também por isso que idealizei um novo modelo de negócio que transforma os três grupos de stakeholders tradicionalmente separados – clientes, equipa interna e acionistas – num grupo único de pessoas que partilha o mesmo interesse entre si. O que os une é a paixão pelos produtos e serviços que desenvolvem e a partilha do sucesso, dos resultados, do empreendimento em causa (para explorar os conceitos de comunidade, equipa e proprietários, clique aqui).

A verdade é que a alteração dos papéis Inerentes às pessoas que fazem parte da comunidade [de consumidores] e das equipas de trabalho, quando os mesmos se transformam em “proprietários” introduz novas dinâmicas à organização e à sua cultura. A comunicação honesta e transparente entre todos os stakeholders torna-se uma prioridade. As barreiras e o trabalho “a solo” são reduzidos. A comunicação flui. Todos se sentem completamente envolvidos na criação e no desenvolvimento de um produto ou serviço de elevada qualidade do qual querem, eles próprios, usufruir. E se toda a gente está directamente envolvida, interessada e a beneficiar dos resultados da empresa/empreendimento, então parece ser fácil concluir que o efeito desta cooperação intensa irá, também ele, resultar num melhor produto ou serviço.

Assim, os fãs dos nossos produtos ou serviços não se limitarão a usá-los ou a consumi-los. O que estamos a fazer é a criar uma nova oportunidade para que todos os beneficiários participem directamente no seu desenvolvimento, partilhando também os resultados. Desde que mantenhamos o modelo exclusivamente para verdadeiros fãs (e não para as pessoas que estejam apenas interessadas em retorno financeiro puro), o seu potencial será gigantesco.

Actualmente, o nosso modelo poderá parecer uma ideia louca ou uma visão utópica, mas talvez seja mesmo isso que estamos a perseguir. Existe apenas uma forma de o saber…

Se ficou curioso sobre o índice SORG e pretende explorar melhor este conceito de co-gestão de empresas por “fãs”, contacte-me. Afinal, tudo começa com uma boa conversa.