Os dinossauros dominaram o mundo, mas acabaram por extinguir-se. Na verdade, o que interessa é que sem adaptação, não há sobrevivência e sem aprendizagem, não há evolução. E assim, não só os indivíduos, mas também as empresas, evoluem
POR HELENA RAVARA

Assim sendo, o que fazer para não se transformar num dinossauro e para manter um espírito de aprendiz? Há sete competências que se devem desenvolver e que, sem considerar a sua ordem de importância, são:

  • Proactividade: Ser activo na procura de novos conhecimentos, na aprendizagem de novos comportamentos e não esperar que as coisas venham ter consigo e que lhe digam o que fazer e como fazer;
  • Curiosidade: Estar atento ao que se passa à sua volta, na sua área de actividade e, se possível, também noutras. Procurar identificar as tendências, descobrir as novidades, os novos conhecimentos, teorias, modelos, metodologias, ferramentas e tudo o que possa ser útil para o seu desenvolvimento. A aprendizagem não deve ser reactiva.
  • Procura de informação: Ir à procura de informação para aprofundar os assuntos, não se deixar ficar por informação superficial, tentar escalpelizar e averiguar mais a fundo as matérias de conhecimento que são fundamentais e/ou críticas na sua área. A aprendizagem deve ser activa.
  • Espírito crítico: Não se deixar ficar por uma única ideia ou abordagem, procurar alternativas e tentar analisar as diferenças. A aprendizagem deve ser reflectida.
  • Escuta activa: “Ouvir” (mesmo quando o que se está a fazer é ver ou ler) com atenção e interesse, procurando assimilar e integrar a informação que é transmitida, sem deixar de colocar dúvidas ou questões, não só para melhor compreender, como para aprofundar os assuntos.
  • Humildade: Aceitar que não se sabe tudo, que se pode aprender com os outros e que se pode mudar de ideias, opiniões, comportamentos. Aprender com os fracassos, transformando assim algo negativo em algo positivo.
  • Flexibilidade: Com a aprendizagem, não só se adquirem novos conhecimentos, como se devem mudar comportamentos, o que se aprende dever ser posto em prática e isso implica mudar.

Depois de tudo isto, é importante manter-se atento às publicações na sua área (sejam em papel ou digitais), assistir a webinars / palestras / conferências, falar com colegas e com peritos em determinados assuntos, investigar o que se está a fazer noutras empresas e noutros países, etc.. Afinal, hoje o mundo está à distância de um clique e até a aprendizagem pode ser à distância. Pode-se, assim, evitar a extinção e evoluir.

Passando do plano individual para o plano da empresa, numa organização de excelência, esta preocupação com a aprendizagem contínua deve ser partilhada nos vários níveis da estrutura, e a aprendizagem contínua deve ser incentivada.

É bem conhecido o caso da Google, que incentiva os colaboradores que tenham algum projecto a estudar sobre assuntos do seu próprio interesse, ainda que não se relacionem directamente com a sua actividade na empresa. Desta forma, não só os colaboradores se sentem apoiados e demonstram maior motivação para as actividades na empresa, como esta atitude e os comportamentos de aprendizagem contínua devem, depois, estender-se a outras áreas e actividades do colaborador.

Esta cultura de aprendizagem contínua é conseguida colocando à disposição do colaborador formas activas e interactivas de aprendizagem, para que consiga o mais possível aprender vivenciando e que possa colocar em prática o que aprendeu. É incentivada a partilha de informação e é dado espaço a que todos possam colocar questões e participar. São criados espaços para que os colaboradores possam trocar informações e conhecimentos novos, debater assuntos, etc. e partilham-se bases de conhecimento. Por outro lado, os fracassos são analisados para que se possa aprender com os erros.

E assim, não só os indivíduos, como as empresas evoluem!