O trágico fado dos endividados
Primeiro, os números: só na primeira metade do ano, mais de 37 mil famílias deixaram de pagar os seus empréstimos à banca.
Trocado por miúdos, são mais de 6.200 por mês, perto de 206 por dia, mais de oito por hora. Agora, as explicações: nunca mais acabam. São os encargos familiares que disparam, os juros que não param de subir, os rendimentos que encolhem, os impostos que não param de subir, os salários que deixam de entrar no orçamento, o desemprego que bate à porta... o rol de justificações não tem fim e já se tornou numa espécie de ladainha que qualquer português, mesmo sem domínio dos temas económicos, repete sem custo. A grande questão que se coloca agora é saber quanto mais se vai agravar este cenário. A avaliar pelas previsões (que dão conta de um aumento do universo de desempregados), pelos receios (de que o Governo irá aplicar mais taxas e impostos) ou por coisas que já temos como certas (como o impacto do novo código de trabalho no mercado), poucos acreditam que a situação vá melhorar daqui para a frente. Pelo contrário: tudo indica que só vai piorar. Para os particulares, para as empresas e para os bancos. O que leva a outra questão: como se pode convencer os bancos a reforçar a almofada de apoio aos seus clientes em apuros, oferecendo maior flexibilidade nas renegociações de crédito? Mais: como garantir crédito às empresas que lhes permita manter as portas abertas e, com isso, travar um aumento de desemprego? Quando se conseguir responder a qualquer uma destas questões, então talvez se tenha chegado a parte da solução que diminua e evite os números com que começou a ler este texto.
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