Integrar o Corpo Europeu de Solidariedade é uma situação vantajosa para todos: os jovens podem fazer algo importante através do apoio às comunidades locais e, ao mesmo tempo, investir no seu desenvolvimento profissional, social e pessoal. As comunidades e as pessoas com maiores necessidades de apoio beneficiam do trabalho desenvolvido. As organizações encontram jovens que partilham a sua paixão pela acção
POR TIBOR NAVRACSICS

A 7 de Dezembro de 2017, o Corpo Europeu de Solidariedade festejou o seu primeiro aniversário — um momento adequado para reflectir sobre um primeiro ano rico em acontecimentos e olhar para o futuro.

Com efeito, muitas coisas aconteceram desde que o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, anunciou esta nova iniciativa no seu discurso sobre o Estado da União de 2016. O Corpo Europeu de Solidariedade foi lançado apenas três meses depois, em Dezembro de 2016, com o objectivo de proporcionar mais oportunidades aos jovens para participar, apoiar os outros e ajudar a construir comunidades coesas. Os jovens têm um papel fundamental na construção da Europa do futuro e este programa é um dos meios que pretendemos utilizar para que o possam exercer.

Agora, um ano após a Comissão Europeia ter lançado o Corpo Europeu de Solidariedade, estão inscritos mais de 43 mil jovens de todos os Estados-Membros (e não só); destes, mais de 2 mil já foram colocados em cerca de 1 400 organizações de toda a Europa enquanto voluntários, estagiários ou trabalhadores. O nosso objectivo é atingir 100 mil jovens inscritos no Corpo Europeu de Solidariedade até 2020.

Um ano após a Comissão Europeia ter lançado o Corpo Europeu de Solidariedade, estão inscritos mais de 43 mil jovens de todos os Estados-Membros, e não só

Quando lançámos a iniciativa, criámos também um portal inovador do Corpo Europeu de Solidariedade, que apresenta, pela primeira vez, um «balcão único» para as actividades de solidariedade a nível europeu. Os jovens são, assim, postos em contacto com organizações ou empresas que proporcionam oportunidades para o seu envolvimento em acções de solidariedade no seu país ou no estrangeiro.

Integrar o Corpo Europeu de Solidariedade é uma situação vantajosa para todas as partes: os jovens podem fazer algo importante através do apoio às comunidades locais e, ao mesmo tempo, investir no seu desenvolvimento profissional, social e pessoal. Participar em actividades de solidariedade como voluntário, estagiário ou trabalhador reforça as suas competências e perspectivas de emprego, fruto das diversas oportunidades de aprendizagem antes e no decurso das actividades. Ao mesmo tempo, as comunidades e as pessoas com maiores necessidades de apoio beneficiam do trabalho desenvolvido.

Esta iniciativa pretende ser abrangente na sua abordagem e escolha dos projectos, de modo a assegurar que todos os interessados possam participar. Os voluntários recebem dinheiro de bolso e o seu alojamento, despesas de viagem e de seguro são financiados. Os estagiários ou trabalhadores de solidariedade são pagos e os custos da sua mudança são cobertos. É disponibilizado apoio especial para jovens oriundos de meios menos privilegiados.

Uma grande diversidade de organizações, como as organizações não-governamentais, autoridades nacionais, regionais e locais ou empresas sociais e outras podem entrar em contacto com potenciais voluntários, estagiários ou trabalhadores, através do portal do Corpo Europeu de Solidariedade. Como tal, há também uma vantagem para as organizações: encontram jovens que partilham a sua paixão pela acção. Os jovens trazem entusiasmo, novas abordagens para superar desafios e a sua experiência, talvez num contexto completamente diferente. Este é um terreno fértil para a aprendizagem e o apoio mútuo.

Depois dos italianos e espanhóis, os jovens portugueses foram os que se mostraram mais activos no primeiro ano da iniciativa

Por exemplo, em Agosto de 2017, voluntários do Corpo Europeu de Solidariedade provenientes da Áustria, de França, da Grécia, da Hungria, de Portugal e de Espanha chegaram a Nórcia, em Itália, para ajudar a comunidade local nos esforços em curso para reparar e reconstruir os serviços sociais após a vaga de tremores de terra que assolou o centro de Itália em 2016. No total, 230 membros do Corpo Europeu de Solidariedade apoiam as comunidades italianas afectadas pelos sismos até 2020.

Acima de tudo, estes jovens trazem esperança às comunidades e ajudam a reconstruir as suas vidas. Tomei conhecimento desta realidade quando me reuni com voluntários do Corpo Europeu de Solidariedade em Nórcia, em Setembro de 2017, juntamente com o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani. Fiquei impressionado e sensibilizado pela forma como estes jovens fazem a diferença.

Os participantes no Corpo Europeu de Solidariedade participam numa série de actividades: dar aulas de língua para os refugiados na Alemanha, por exemplo, ou trabalhar com jovens oriundos de grupos desfavorecidos ou com idosos em Portugal, nos Países Baixos e em muitos outros locais por toda a Europa.

Desde Julho de 2017, o Corpo Europeu de Solidariedade acolhe dois projectos coordenados pelos Serviços Públicos de Emprego italiano e francês em cooperação com os parceiros de diferentes países da UE, que oferecem uma gama de empregos e estágios transfronteiriços no domínio da solidariedade, a um máximo de 6 mil jovens já este ano.

Os jovens portugueses mostraram-se muito entusiastas e activos no primeiro ano do Corpo Europeu de Solidariedade: 3 522 jovens portugueses registaram-se até à data, valores apenas ultrapassados por Itália e Espanha. Até à data, 108 jovens de Portugal participaram em projectos do Corpo Europeu de Solidariedade em toda a Europa, e 138 jovens de outros países participaram em projectos do Corpo Europeu de Solidariedade em Portugal.

Para além de ofertas de voluntariado, estágios e colocações, o Corpo Europeu de Solidariedade poderá dar aos participantes a possibilidade de lançarem os seus próprios projectos de solidariedade

Fábio Gouveia, de 25 anos de idade e nascido em Lisboa, foi um dos primeiros voluntários a chegar a Nórcia para ajudar na reconstrução após os sismos de locais pertencentes ao património cultural e apoiar a comunidade local através de actividades estruturadas e intercâmbios culturais. Em retrospectiva, Fábio considera a experiência extremamente enriquecedora, reconhece que lhe ensinou muito sobre si mesmo e, pela interacção com a população local, sobre a forma como a perda do património cultural pode ter um impacto na vida das pessoas, bem como a importância de preservar a nossa história, cultura, tradições e crenças.

Para consolidar a visibilidade e o impacto do Corpo Europeu de Solidariedade em diferentes domínios, tencionamos reunir todas as suas actividades, actualmente financiadas ao abrigo de oito programas da UE, numa iniciativa autónoma com o seu próprio financiamento. Para o efeito, a Comissão apresentou em Maio de 2017 uma proposta para o período de 2018-2020. Além disso, queremos alargar as oportunidades para os jovens a novas actividades: para além de ofertas de voluntariado, estágios e colocações, o Corpo Europeu de Solidariedade poderá no futuro também oferecer aos participantes a possibilidade de lançarem os seus próprios projectos de solidariedade ou voluntariarem-se em grupo.

Mas as ambições da Comissão para o Corpo Europeu de Solidariedade não terminam aqui. Gostaríamos de chegar a 1,5 milhões de jovens no Corpo Europeu de Solidariedade até 2025, o que, evidentemente, exige vontade política e recursos suficientes. Os benefícios para as pessoas, as comunidades e as organizações são inequívocos!

Para mais informações, consultar: http://europa.eu/youth/solidarity

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