Seja numa grande empresa ou numa jovem start-up, é difícil ignorar o valor da felicidade dos nossos colaboradores. Colaboradores felizes trabalham melhor em equipa, produzem mais e são mais inovadores. A felicidade traz uma vantagem competitiva e, nas palavras de Shawn Anchor, “todos os negócios mostram sinais de melhoria quando o cérebro tem uma atitude positiva”
POR RICARDO PARREIRA

As vantagens da felicidade no local de trabalho são hoje mais explicadas do que debatidas. É difícil negar a sua mais valia. A grande questão, difícil de responder, é hoje como trabalhar a felicidade dentro de uma empresa.

Será fácil cair na tentação de pensar que a resposta é meramente material e imediata, ou que passa apenas por satisfazer as necessidades dos colaboradores. Uma análise dessa natureza será apenas uma apreciação superficial e que ignora um dos aspectos mais importantes de uma empresa: a sua cultura.

Construir a felicidade numa empresa começa por ter uma cultura organizacional profissionalizada, com valores bem definidos e que se traduzem em atitudes concretas. Quando os colaboradores se identificam com uma determinada cultura e forma de estar, quando se revêem nas atitudes dos colegas e sabem o que esperar deles, sentem-se mais realizados. A felicidade constrói-se com esta identificação e depois traduz-se nas atitudes quotidianas. É um mind set sustentado e coerente, que se desenvolve em cada indivíduo e não deve ser confundido com a mera satisfação.

A grande questão é hoje como trabalhar a felicidade dentro de uma empresa

A felicidade e a satisfação são conceitos distintos. Enquanto a satisfação é momentânea, a felicidade implica um estado de espírito estável. Com isto, quero dizer que trabalhar a felicidade é mais do que um processo de satisfazer as vontades de quem trabalha na empresa. Passa por fornecer um ambiente empresarial, com valores bem definidos, que fomentem uma atitude para a felicidade e que se traduzam nas acções do seu dia-a-dia. É trabalhar para que cada pessoa saiba que é nela que nasce a sua felicidade e que não chega a empresa ter todo um conjunto de medidas, se cada individuo não decide, ele próprio, ser mais feliz.

Para potenciar essa atitude para a felicidade, é necessário saber que empresa somos e o que esperamos de quem trabalha connosco. É importante ter referenciais, mas também transformar essa identificação em acções e planos concretos que a desenvolvam e encontrar os mecanismos de feedback para monitorizar o seu sucesso.

A gestão da atitude para a felicidade necessita de estratégia e de um plano para a colocar em prática, mas necessita também de pessoas. Não se faz por decreto. Neste aspecto, o papel das lideranças internas é fundamental, sendo que trabalhar a atitude para a felicidade dos nossos colaboradores necessita de um plano de formação e desenvolvimento de líderes que sejam o espelho desta cultura e que inspirem as suas equipas. Eles são os catalisadores da cultura da empresa e da construção dessa atitude.

Uma empresa feliz necessita de trabalhar e gerir todos estes aspectos, pois a felicidade não é pré-existente dentro das organizações. É construída com uma cultura profissionalizada, que é o segredo de qualquer empresa que queira ser um local espectacular para trabalhar.